domingo, 19 de fevereiro de 2017

O Coveiro de Kardec


Leymarie  - Coveiro de Kardec

Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com

A propósito do declínio do Movimento Espírita francês pós-Kardec, inicialmente entronizamos a figura de Ermance Dufaux, ela que conheceu Allan Kardec no dia 18 de abril de 1857, ao comparecer à pequena recepção festiva organizada pelo Codificador em sua residência, com a finalidade de comemorar o lançamento de O Livro dos Espíritos. No final dessa reunião, Dufaux psicografou bela página ditada pelo Espírito São Luís, que se tornaria, a partir de então, o diretor espiritual dos trabalhos experimentais de Allan Kardec.
No final de 1857, Dufaux receberia outra importante mensagem, estimulando o Codificador a prosseguir no ideal de lançar mensalmente um periódico espírita. Com efeito, no início de 1858, Kardec laçou a Revue Spirite, surgindo assim a matriz da propaganda da Terceira Revelação e o embrião do Movimento Espírita Mundial.
Na França o nome de espíritas foi gradualmente abatido ao longo dos séculos XIX e XX. Para isso, ocorreram alguns fatos que explicam: como a desencarnação, em 1869, de Allan Kardec, bem como também a mudança de regime político, porquanto após a queda do Segundo Império, a República é proclamada em 1871.
Momentos antes, porém, em 19 de julho de 1870, cerca de quinze meses após a desencarnação de Kardec, o Imperador Napoleão III, provocado por Bismarck, declarou guerra à Prússia. Em face disso, a divulgação espírita sofreu enormes prejuízos, destacando-se que à época, como se não bastasse a fatídica guerra franco-prussiana, de maneira simultânea também havia uma onda de pensamentos oriundos da Revolução Francesa, intensificando a ideia do laicismo, proibindo-se, portanto, qualquer relação entre as entidades estatais com “religião”.
Diante de outras “pistas”
Apontaremos algumas outras “pistas” para opinar sobre o  declínio do Movimento Espírita francês pós-Kardec. Em princípio, cremos que os legados históricos do Espiritismo sofreram as implicações danosas, por terem sido tratados como bens de família, estabelecendo espólios e, por conseguinte, sujeitando a herdeiros. Tudo sugere que Kardec pretendia evitar isso ao idealizar uma sociedade impessoal, mas não teve tempo. Faleceu antes de concretizar seus planos e, consequentemente tudo o que pertencia à Codificação Espírita (Sociedade parisiense de estudos espiritas, livros, revistas, correspondências, documentos etc.) tornaram-se herança da viúva Amélie Gabrielle Boudet.
De início, Boudet se propôs administrar o projeto do esposo; mas, inexplicavelmente, deliberou por confiar o legado nas mãos de Pierre-Gaëtan Leymarie, que organizou a (não espírita) Sociedade Científica de Estudos Psicológicos, que depois se transformou na “Sociedade Científica do Espiritismo”Mas Boudet sugeriu a criação da “Sociedade para a continuação das obras espíritas de Allan Kardec”. [1] Após a desencarnação de Amélie Boudet, em 1883, Leymarie tornou-se o dono absoluto dos espólios e dos documentos de Kardec, na condição de único remanescente da tal sociedade. Uma parte, dos documentos originais do Codificador foi sendo publicada por Leymarie na “Revue Spirite”, e outra parte transformou na inquietante “Obras Póstumas”.
O declínio do Movimento Espírita francês pós-Kardec, na minha percepção e de alguns outros pesquisadores, se deve precipuamente à imaturidade doutrinária de Pierre-Gaëtan Leymarie que teve o encargo, portanto, de cuidar da propagação do Espiritismo após a desencarnação do mestre de Lyon. Neste sentido, parece-nos que administrou “inocentemente” uma razoável quantidade financeira que lhe foi entregue por Amélie Gabrielle Boudet para o custeio da divulgação das obras espíritas. 
Os expressivos recursos econômicos deveriam ser empregados na propaganda criteriosa do Espiritismo. Mas isso não foi claramente realizado. Motivo pelo qual, provavelmente em 1882, Gabrielle Boudet, inteiramente descontente, convidou à sua casa Gabriel  Delanne e esposa, a fim de propor a criação do periódico "Le Spiritisme", para que o Movimento Espírita não dependesse apenas da já agonizante “Revue Spirite" dirigida por Leymarie.
A liderança do Movimento Espírita poderia ter sido compartilhada entre Leymarie e Gabrielle Boudet, mas, a rigor, Boudet ficou historicamente em plano secundário, numa condição de humilhante subalternidade e gradualmente Leymarie foi afastando Amélie Gabrielle das decisões. [2]
Leymarie ,  protagonista para o desmoronamento doutrinário
Leymarie imergiu na invigilância, gerando o desfalecimento do Movimento Espírita já quase totalmente desintegrado. Cremos que a sucessão de Kardec deveria caber a Alexandre Delanne, até porque era vizinho e amigo de longa data da família Kardec, jamais a Leymarie.
Delanne viajava bastante, esteve nas cidades onde existiam centros de divulgação espírita como, Lyon, Bordeaux, Bruxelas entre outros locais que visitava com certa frequência os centros espíritas. Concebemos que Delanne tenha sido bloqueado "politicamente" por Leymarie. Sim, talvez o invigilante Leymarie tenha articulado nos “bastidores” com Boudet a fim de “puxar o tapete” do pai de Gabriel Delanne.
Mas, quem era Leymarie? Era um praticante de Teosofia de Blavatsky, defendia as alucinações de Roustaing [3] e era apaixonado pela maçonaria.
Importa mencionar que quando Kardec desencarnou Gabriel Delanne tinha apenas 12 anos de idade e Léon Denis tinha 23 anos e serviria o exército na guerra franco-prussiana de 1870 e, apesar de já espírita, Denis ainda não estava satisfatoriamente integrado ao Movimento Espírita. Desta forma, ambos, Delanne e Denis, passaram a exercer maior influência no Movimento Espírita somente por volta da década 1890 e, principalmente, a partir de 1900, momento em que se projetaram mais.
A França enfrentou três grandes guerras (a “franco-prussiana” de 1870 e as duas grandes guerras mundiais), o que, sem dúvida, dificultou muito a propagação do Espiritismo. Na Primeira Guerra Mundial muitos grupos e sociedades espíritas tiveram que ser fechados. Sob esse clima houve brutal sufocação do Movimento Espírita em francês.
Como se não bastasse, no contexto dos idos de 1910, podemos pontuar as propostas filosóficas materialistas, abrindo espaço para o niilismo, existencialismo, pessimismo e ceticismo extremos, enfim - os embates ideológicos. Portanto, as guerras foram categóricas para o declínio do Movimento Espírita francês pós-Kardec, mas antes delas, como vimos, a liderança do movimento sofreu tragicamente, principalmente pela falta de lucidez doutrinária, especialmente veiculada pela "Revue Spirite", sob a gerência de Leymarie.
Repetimos que Leymarie foi o protagonista para o desmoronamento doutrinário, por conseguinte muitos espíritas franceses perderam o rumo sob o guante do misticismo imponderado. Para ilustrar, notemos o infame “Processo dos Espíritas”, resultante das reais fraudes reproduzidas por fotógrafos de má fé e publicadas de maneira descuidada por Leymarie na Revue Spirite. Naturalmente esse episódio foi traumático de consequências gravíssimas, ferindo mortalmente o moribundo Movimento Espírita francês.
Nesse caótico quadro de declínio doutrinário há quem assinale outro aspecto especial. Trata-se da questão das excessivas pesquisas científicas em torno dos fenômenos mediúnicos. Havia prioridades nas experimentações laboratoriais com os médiuns. O próprio Gabriel Delanne seguiu esse caminho de pesquisa. Não obstante, Delanne tenha se declarado “arrependido”, numa entrevista concedida ao brasileiro Canuto Abreu, afirmando que a experiência científica não teria sido a sua melhor opção para o revigoramento do Movimento Espírita.
Gabriel Delanne, um depoimento de além-tumba
Sobre isso, André Luiz entrevistou o Delanne no além, notemos: Muitos amigos na Terra são de parecer que os Mensageiros da Espiritualidade Superior deveriam patrocinar mais amplas manifestações da mediunidade de efeitos físicos para benefício dos homens, como sejam materializações e vozes diretas. Que pensa a respeito?
Delanne (Espírito) - “Creio que a mediunidade de efeitos físicos serve à convicção, mas não adianta ao serviço indispensável da renovação espiritual. Os Espíritos Superiores agem acertadamente em lhe podando os surtos e as motivações, para que os homens, nossos irmãos, despertem à luz da Doutrina Espírita, entregando a consciência ao esforço do aprimoramento moral. Devemos estimular os estudos em torno da matéria e da reencarnação, analisar o reino maravilhoso da mente e situar no exercício da mediunidade as obras da fraternidade, da orientação, do consolo e do alívio às múltiplas enfermidades das criaturas terrestres”. [4]
Nos primórdios do século XX houve um surto de crescimento do Movimento Espírita na França até meados da década de 1920, esmaecendo de forma célere quando Denis, Delanne, Gustave Geley e Camille Flammarion desencarnam. Subsequentemente, em 1935, desencarnaria o "Pai da Metapsíquica" e simpatizante do Espiritismo Charles Richet, tudo isso aconteceu momentos antes da Segunda Guerra Mundial, quando da ocupação nazista na França por quase um lustro.
Retornemos mais uma vez a Leymarie. Ele fundou a "Librairie Leymarie Édite-URS" e a dirigiu até 1903, e, com o seu desencarne, o espólio foi herdado (novamente em família!) pela viúva Marina Leymarie que assumiu o comando, e, posteriormente, por seu filho, Paul Leymarie. Este, após um breve espaço de tempo em que os negócios ficaram com sua mãe Marina, tornou-se, em 1904, “dono” absoluto dos destinos do Espiritismo até 1914, quando, em função da Primeira Guerra Mundial, abandonou tudo. O que não foi de todo uma catástrofe, pois o Paul Leymarie comercializava até “bolas de cristal” [isso mesmo! “bolas de cristal”] pela Revue Spirite.[5]
Meyer, um mecenas francês
Com a liquidação da "Librairie Spirite", continuou a editoração das obras de Allan Kardec, fazendo do prédio da "Librairie Leymarie" sede da redação da "Revue Spirite", até a fundação da "Maison des Spirites", por Jean Meyer, inaugurada em 25 de novembro de 1923. Antes mesmo de terminar a Primeira Guerra, em 1916, o Jean Meyer, um rico empresário francês, assumiu o combalido Movimento Espírita francês, lembrando que nessa conjuntura ainda estavam encarnados Léon Denis e Gabriel Delanne, que embora sumidades intelectuais e grandes referências doutrinárias; mas “cá para nós”, alguém tinha que cuidar dos “negócios” do movimento.
No contexto Meyer destinou a sua fortuna pela causa do Espiritismo. Ficou com os direitos autorais da Revue Spirite. Criou a Casa dos Espíritas (“Maison des Spirites”), para onde levou o precário material que restou dos documentos e objetos pessoais de Kardec. Este mesmo mecenas fundou o “Instituto de Metapsíquica”, sob o comando inicial do Gustave Geley, e onde foi gerado o “Tratado de Metapsíquica”. O curioso é que Charles Richet dizia que o “Espiritismo era inimigo da ciência”.
La Revue Spirite reunia, nesse tempo, as mais destacadas personalidades do Espiritismo: Gabriel Delanne, Leon Denis, Camille Flammarion, Ernesto Bozzano, A. Bénezech, Marcel Laurent, M. Cassiopée, General Abaut, Dr. Gustave Geley, Marcel Semezies, Pascal y Matilde Forthuny, Louis Gastin, Henri Sausse, Paul Bodier, Sir. Arthur Conan Doyle, Santoliquido, Rocco, León Chevreuil, Hubert Forestier e outros. Em verdade, Meyer foi uma espécie de “dono” do movimento espírita francês até sua desencarnação em 1931. [6]
Durante a Segunda Guerra Mundial ocorreu uma desmontagem quase integral do Movimento Espírita francês. Os nazistas ao ocuparem Paris saquearam tudo inclusive Maison Spirites e confiscaram livros, documentos de pesquisa, e outros objetos importantes da própria história do Espiritismo na França.
Que nos diz acerca do Espiritismo, na França? Esquadrinhou André Luiz Ao Espírito Gabriel Delanne. “ Não nos é lícito dizer haja alcançado o nível ideal”.[7] Redarguiu Delanne acrescentando que “legiões de companheiros da obra de Allan Kardec reencarnaram, não só na França, mas igualmente em outros países, notadamente no Brasil, para a sustentação do edifício kardequiano”. [8]
Transposição do movimento espírita mundial
Conjectura-se aqui e algures sobre o translado do Espiritismo para o Brasil. Temos certeza que a transposição da direção do Movimento Espírita mundial, da França para o Brasil, sobreveio após a desencarnação de Léon Denis, no período entre o final da década de 1920 e o início da década de 1930, portanto, coincidindo com o início da missão mediúnica de Francisco Cândido Xavier.
Desta forma, podemos questionar o desempenho de Bezerra de Menezes como justificadora para tal translado. Até porque, não é difícil comprovar nesse contexto, pois quando Bezerra desencarnou em 1900 a atuação verdadeiramente apostólica de Gabriel Delanne e Léon Denis manteve-se viva por muitas décadas, inclusive durante e após a primeira guerra mundial. [9]
O Movimento Espírita francês voltou a se recuperar com frouxidão por volta dos anos de 1950 e 1960 em razão do regresso à França de alguns cidadãos que residiam no Norte da África (Argélia, Marrocos) e começaram a retornar para a terra de Kardec arriscando remontar o Movimento Espírita.
Encetaram o projeto, todavia com extrema dificuldade, em função do cenário deixado pela Segunda Guerra. Porém, desataque-se que naquela situação começou a haver uma nova fase de interesses e buscas fenomênicas no campo da parapsicologia e da metafísica; por fim, a própria Revue Spirite foi retomada por algumas lideranças a exemplo de Hubert Forestier e André Dumas.

Sepultamento da Revue Spirite
Na década de 1960, Hubert Forestier assume a Revue Spirite e torna-se proprietário que, em 1968, chega a registrar a Revue em seu nome no órgão de propriedade industrial. Forestier desencarna em 1971, deixando o Movimento Espírita francês na penúria. Seus herdeiros, não sabendo o que fazer de tal herança, vendem tudo por um franco para André Dumas. A essa altura os direitos autorais das obras de Kardec já tinham caducado. [10] O resto – muito pouco: o nome da Revue e da Societé – ficou nas mãos do Dumas. [11]
André Dumas, seja por ter mudado suas preferências filosóficas, seja por constatar que o status de espírita não conferia mais prestígio, resolveu liquidar tudo: em 1975, mudou o nome da “Revue Spirite” para “Renaitre 2000”, e a Societé para uma tal “sociedade para pesquisa da consciência e sobrevivência”, colocando, dessa forma, duas ou três pás de cal sobre o “espiritismo francês”. [12]
Na verdade, Dumas foi escritor e dirigente espírita francês, presidente da União Espírita Francesa (UEF) e diretor da Revista Espírita na década de 1970. Por muitos anos administrou o legado de Kardec e seus seguidores. No entanto, é mais lembrado (no Brasil) pela mudança do nome desta tradicional instituição espírita, em 1976: União Científica Francofônica para a Investigação Psíquica e o Estudo da Sobrevivência da Alma (USFIPES), em vez de UEF.
Nesse mesmo ano, para desagrado de alguns espíritas brasileiros, a tradicional revista fundada por Kardec deixa de circular. Em seu lugar, Dumas, como citamos acima, lança um periódico denominado o Renaître 2000. Segundo ele, as palavras espírita e Espiritismo se descaracterizaram em seu verdadeiro significado, vinculando-se ao misticismo (roustanguista), ao religiosismo. Por isso a mudança.
O resultado foi a completa marginalização de Dumas e a confusão jurídica com a União Espírita Francesa e Francofônica, fundada por Roger Perez em 1985, pelos direitos da Revista Espírita. Dois anos depois a instituição obtém sentença judicial favorável a Perez e a Revue volta a circular novamente após 12 anos de interrupção.
Apesar de ser lembrado como uma espécie de traidor, um “Judas” da causa espírita, Dumas foi um dirigente e um intelectual espírita importante na história do Espiritismo francês. Sua visão, laica e filosófica, destoava da grande maioria dos espíritas, notadamente os brasileiros, afeitos a concepções religiosas e sectárias, influenciados em demasia pelos cânones roustanguistas da Feb.
Paralelamente, surge na França o Jacques Peccatte dizendo que o próprio Kardec se “comunicou” no grupo dele, o “Cercle Spirite Allan Kardec”, em 1977, e o mandou ressuscitar o movimento. (sic) Ele o tenta até hoje. [13]
Mas, pelo lado digamos, oficial, o Roger Perez, retornando das desativadas colônias africanas, resolveu, certamente com o patrocínio da Feb, retomar as coisas. Conseguiu reaver do André Dumas, na justiça, o nome da Revue, e passou a editá-la pela “Federação Espírita Francesa e Francófona” (já extinta), da qual foi fundador. Ali pelo ano 2000 passou os direitos para o CEI – Conselho Espírita Internacional.
Certamente com Roger Perez houve uma breve intensificação do Movimento Espírita francês, porém, a bem da verdade, nunca se recuperou, pelo menos em Paris. Sabemos que hoje há diferentes núcleos espíritas no interior da França, mas evidentemente sem as características daquelas propostas por Allan Kardec.

Propagação espírita de pessoa a pessoa, de consciência a consciência
O Espírito Delanne não acredita que a Europa (especialmente a França) retomará a direção do movimento espírita no futuro, pois o Velho Continente assemelha-se, atualmente, a vasto campo de guerra ideológica, que está muito longe de terminar. Para o Benfeitor a divulgação espírita terá de efetuar-se de pessoa a pessoa, de consciência a consciência. A verdade a ninguém atinge através da compulsão. A verdade para a alma é semelhante à alfabetização para o cérebro. Um sábio por mais sábio não consegue aprender a ler por nós. (Grifei)
Talvez esse processo de propaganda espírita seja moroso demais para a Humanidade, mas, segundo Delanne, uma obra-prima de arte exige, por vezes, existências e existências para o artista que persegue a condição do gênio. Como acreditar que o esclarecimento ou o aprimoramento do espírito imortal se faça tão-só por afirmações labiais de alguns dias? [14]
Seja no Brasil, seja noutros países, cremos que a pujança da Doutrina dos Espíritos não advirá por meio de um Espiritismo Oficial, hierarquizado, elitista, exorbitantemente místico e mercantilista, porém na propagação paulatina da Terceira Revelação de pessoa a pessoa, de consciência a consciência, de ombro a ombro, sem as grilhetas burocráticas dos institutos oficiais de unificação, que na Terra e especialmente no Brasil vivem e revivem os fragorosos vendavais intransigentes do poder curial.

Notas e Referências bibliográficas:       

[1] CALSONE Adriano. Madame Kardec, SP: Viva Luz Editora, 2017 “Eis que em 18 de outubro de 1873, a Assembleia Geral Anual concordou com a decisão de substituir o polêmico nome, Sociedade Anônima – criação da viúva Kardec –, para o extenso, Sociedade para a continuação das obras espíritas de Allan Kardec, anônima e capital variável. Com a nova recriação, sugerida novamente por Amélie, a mesma deixava claro que tudo deveria convergir para a divulgação, propagação e continuação das obras espíritas do marido.”

[2] Idem

[3] P.G. Leymarie tinha muita afinidade com o Brasil, particularmente no Rio de Janeiro onde esteve exilado em 1851, quando houve o golpe do Luís Napoleão. Ademais, nunca escondeu amizades e afinidades roustainguistas.

[4] XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA Waldo. Entre irmãos de outras terras, Entrevista realizada pelo espírito de André Luiz com o espírito de Gabriel Delanne, RJ: Ed. FEB, 1970

[5] DONHA João. O legado documental de Allan Kardec: queimado, escondido ou leiloado? Disponível em https://palavraluz.wordpress.com/2016/07/17/arquivokardec/ acessado em 16/02/2017

[6] Disponível no portal “AUTORES ESPÍRITAS CLÁSSICOS” http://www.autoresespiritasclassicos.com/autores%20espiritas%20classicos%20%20diversos/Jean%20Meyer/Jean%20Meyer.htm ACESSO 17/02/2017

[7] XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA Waldo. Entre irmãos de outras terras, Entrevista realizada pelo espírito de André Luiz com o espírito de Gabriel Delanne, RJ: Ed. FEB, 1970

[8] Idem

[9] MARMO Leonardo Moreira. “Os Problemas enfrentados pelo Movimento Espírita após a morte de Allan Kardec e as atuações de Delanne e Denis”, disponível em http://paespirita.blogspot.com.br/2017/02/os-problemas-enfrentados-pelo-movimento.html avessado em 17/02/2017

[10] Domínio público, no Direito da Propriedade Intelectual, é o conjunto de obras culturais, de tecnologia ou de informação (livros, artigos, obras musicais, invenções e outros) de livre uso comercial, porque não submetidas a direitos patrimoniais exclusivos de alguma pessoa física ou jurídica.

[11] DONHA João. O legado documental de Allan Kardec: queimado, escondido ou leiloado? Disponível em https://palavraluz.wordpress.com/2016/07/17/arquivokardec/ acessado em 16/02/2017

[12] Idem

[13] Idem

[14] XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA Waldo. Entre irmãos de outras terras, Entrevista realizada pelo espírito de André Luiz com o espírito de Gabriel Delanne, RJ: Ed. FEB, 1970

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Além das tumbas não há tempo disponível para dissimulações (Jorge Hessen )




Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com


Estava aqui pensando sobre o abjeto mercantilismo da mensagem espírita. Já fizemos muitas preces direcionadas aos confrades “vendilhões” e os equivocados oradores plagiadores. No Brasil há um portal na WEB que não se oprime ao comercializar Cd’s e Dvd”s contendo as palestras de orador ilustre. Pessoalmente (via e-mail) já arguimos a equipe do célebre orador e d’outros confrades, em particular e até os repreendemos através de testemunhas e pela imprensa, seguindo rigorosamente o que recomendou Jesus.

Contudo, nada prosperou, pois não nos escutaram. Infelizmente, ainda hoje vemos a corretagem de vídeos de palestras espíritas pelo “You Tube”. Isso sem falar naqueles outros palestrantes “espíritas” que estão surgindo cá e acolá, plagiando o tribuno Divaldo Franco. Às vezes, copiam e proferem o roteiro das palestras do tribuno baiano , imitando o seu estilo pessoal, seja na impostação e timbre da fala, seja no gesto das mãos etc , etc ,etc... 

Certa vez, um confrade explanou para mim a respeito das peripécias de um “famoso” orador que fora convidado para falar no Centro em que ele dirige. Confidenciou-me que o tal palestrante escalado, plagiava, grotescamente, com gestos cômicos, modos de expressão verbal e trechos decorados das conferências do Divaldo Franco, inclusive (pasme!!) "incorporando" “Bezerra” (!) após a palestra (!?).

Segredou-me, ainda, que outro orador “espírita” convidado por ele, utilizou equipamentos de filmagem para edição e autoprodução de DVDs e CDs (para venda) como prática de incontida e peculiaríssima AUTOPROMOÇÃO, achando que está divulgando a Doutrina dos Espíritos. Ainda sobre esse último orador, outro dirigente disse-me que certo dia ao final da palestra, foi exigido, com gracejos inadmissíveis, os aplausos do público, dizendo que na terrinha onde ele (orador) nasceu era comum o púbico aplaudir as suas palestras.

Vamos raciocinar um pouco (não historiaremos sobre o portal que mercadeja as palestras do orador afamado).

Fixarei no orador “espírita” que plagia e imita o Divaldo. Este não tem o menor senso de ridículo, pois, apodera-se de temas e da identidade alheia, sem o menor escrúpulo, e essa é uma atitude obsessiva e/ou psicopatológica, porque lhe é auto plasmada. Ao imitar o Divaldo, esquece-se de que tal atitude não passa de uma dissimulação.

Como se não bastassem as momices, os peculiares e grotescos fatos é comum alguns “famosos” oradores, sob o manto da falsa humildade, oferecerem-se para proferir palestras em todas as instituições espíritas. Fazem autopropaganda, entram em contato (via celular, WhatsApp, facebook, e mail etc. etc. etc.) com os que coordenam as escalas e se dispõem, "modestamente", a serem designados para “palestrar” nos Centros Espíritas.

Aos burlescos palestrantes, candidatos ao estrelismo no movimento espírita, urge adverti-los para não se enceguecerem ante os holofotes e aplausos dos filhos da ignorância doutrinária. Palestra não é show de teatro. Não podemos incorporar as caricatas charges de missionários para divulgarmos o Espiritismo. O expositor espírita não é um profissional da fé, que precisa dramatizar, ou usar recursos de imitação do Divaldo, para angariar fiéis. Sua tarefa é informar de forma simples, nobre e coerente sobre o Espiritismo.

A transmissão da palestra espírita é coisa sublime, pessoal, inimitável. Destarte, temos a obrigação de jamais plagiar quem quer que seja, sobretudo, os oradores que dão "Ibope", que superlotam os centros de convenções. Em face disso, creio que todo dirigente tem o dever de advertir os palestrantes imitadores, porque é um despropósito a clonagem do Divaldo.

É importante sermos o que somos, modestos, sem exageros, lembrando que uma palestra num Centro Espírita é mais uma conversa do que um discurso laudatório ou uma conferência bombástica. Urge recorrermos a linguagem simples e de bom gosto, lembrando que estamos, ali, a serviço do Cristo para explicar e fazer o público entender a mensagem do Espiritismo, não para exibir cultura e muito menos autopromoção.

Sobre este alerta, quem se encaixar nele, deve acolher, com deferência , humildade e sem melindres, toda advertência, procurando avaliar, cuidadosamente, o seu trabalho e, assim, melhorar, cada vez mais, a “tarefa” que lhe cabe (eu disse “serviço” e não “missão”). 

Outra coisa, o orador não deve abusar das anedotas e ou narrar casos chistosos, a fim de provocar gargalhadas do público para angariar um fã clube. Não pode usar a tribuna como se fosse um palco de teatro para humoristas. Se o orador tem o dom de fazer humorismos que procure o teatro, a emissora de TV, o rádio, o cinema e exerça a digna arte de ator. É muito mais honesto.

Sem querer ser "santo", mas, alguém, sinceramente, empenhado em edificar-se moralmente, o orador, a cada dia, deve lembrar, sempre, que, para o público ouvinte, ele representa o Espiritismo e o Movimento Espírita. Ademais, o orador despretensioso é uma peça importante na propaganda e na Difusão do Espiritismo. Por isso, a “tarefa” deve ser encarada com extrema responsabilidade e praticada com esmerada bagagem moral e cultural, sem prejuízo da indispensável coerência.

Não se pode esquecer que quando alguém se propõe a ouvir um orador Espírita, o faz no pressuposto de que ele sabe o que está falando e lhe oferece, silenciosamente, um voto de credibilidade, capaz de mudar, metodicamente, ideias ou conceitos errôneos que nele estavam arraigados, podendo transformar, até mesmo, toda uma trajetória de vida!

Pensemos nisso, o quanto antes, pois além da tumba não há tempo disponível para dissimulações.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Preconceitos e homofobias implícitos entre “confrades” (Jorge Hessen)

Jorge Hessen
Brasília.DF


Existem muitos “confrades” que, declarada ou veladamente homofóbicos, são intolerantes a homossexualidade e/ou qualquer sentimento/relacionamento homoafetivo. Obviamente, para um povo místico, preconceituoso e homofóbico que até hoje vê com esguelha um casal inter-racial, não seria diferente com a união estável entre homossexuais.

Tragicamente há “confrades” discriminadores, para os quais a homossexualidade é a maldição de Deus.  Anunciam essas vertentes (sempre generalizando) como se impuras fossem. Não ignoro que não será de uma hora para outra que esses preconceitos e aversões serão extirpados do imaginário individual e coletivo.

Vários jovens foram banidos de seus lares e até assassinados pelos próprios pais, tão somente porque eles são homossexuais. Infelizmente as concepções e crenças desses progenitores consideram a homossexualidade abjeta ou impura; creem que não conseguem conviver, amar e perdoar o próprio filho.

O “confrade” homofóbico, discriminador, racista etc. é aquele que ainda não aprendeu a lidar com as próprias frustrações em relação a si mesmo. Ele luta cegamente para manter suas ideias deturpadas, porque entende que jaz “doutrinariamente” puro num mundo “pecaminoso” que já se perdeu. Por isso, quando o “confrade” preconceituoso se une a outro “confrade” discriminador, habitualmente eles se tornam impetuosos em defender as suas ideias porque, sem a lógica KARDEQUIANA, é a agressão que prevalece para IMPOR uma “verdade” unilateralmente.

Tais “confrades” com vieses homofóbicos altercam a questão da distorção sexual no corpo físico pela fonte espiritual deturpada. Invariavelmente sob argumentos reducionistas afirmam que os núcleos em potenciação sexual mesclada e desarmônica, traduzido na morfogênese humana, a transmutação sexual redunda numa extensa patologia, em que a homossexualidade ocupa lugar de destaque.

Os enviesados pela homofobia asseguram que os casos patológicos acima citados jamais deverão ser confundidos com “almas femininas” em corpos masculinos ou corpos femininos com “almas masculinas”. Nas suas impetuosidades afirmam que a homossexualidade é caso típico de desvio patológico quando os indivíduos procuram atender às solicitações sexuais com o parceiro do mesmo sexo, em atitudes ativas ou passivas.

Creem que na homossexualidade há a prática sexual deformada com todas as sequelas doentias para o psiquismo, que resvalam para os desvios psicológicos do intersexualismo e transexualismo que podem oferecer campo propício para deságues patológicos na organização sexual periférica, com absorção das desarmonias para a estrutura da alma ou inconsciente.

Sob o guante do viés homofóbico, “confrades” chegam ao ápice ao ressaltarem que na “grande lei dos desvios sexuais” há as perversões do sadismo, masoquismo, exibicionismo e violências de toda ordem. Nesse grupo, a grande percentagem está na homossexualidade, condição de extenso campo de avaliação psicológica.

Para tais “confrades” homofóbicos a personalidade homossexual, em grande número de casos, tem mostrado, ao lado da amabilidade, incontida egolatria, algumas vezes acompanhando posições narcisistas, contribuindo com certo grau de hostilidade para ambos os sexos. São pessoas mais tendentes à ansiedade e a outros sintomas neuróticos, tais como fobias e depressões. Quase sempre são portadoras de esquemas mentais complicados, tornando-se prolixos e enfadonhos no diálogo.

Certa vez um “confrade” me disse com todas as letras: “temos o caso do Chico – clássica inversão [sexual] a serviço do bem”. Mas sempre generalizando com a “autoridade heterossexual”, entende que os homossexuais não estão satisfeitos com a situação de inversão - são em sua maioria revoltados ou insatisfeitos – isso por si só denota a situação expiatória imposta.

Para Emmanuel, na obra Vida e Sexo, a homossexualidade não encontra explicação fundamental nos estudos psicológicos que tratam do assunto em bases materialistas, mas é perfeitamente compreensível à luz da reencarnação.

Observada a ocorrência, mais com os preconceitos da sociedade, constituída na Terra pela maioria heterossexual do que com as verdades simples da vida, a homossexualidade vai crescendo de intensidade e de extensão com o próprio desenvolvimento da Humanidade, e o mundo vê, na atualidade, em todos os países, extensas comunidades de irmãos em experiência dessa espécie, somando milhões de homens e mulheres, solicitando atenção e respeito, em pé de igualdade ao respeito e à atenção devidos às criaturas heterossexuais.

A coletividade humana aprenderá, gradativamente, a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos. [1]

·         Podemos compreender a homossexualidade nas três situações seguintes:

Processo de transição, isto é, quando o Espirito está em trânsito evolutivo, da experiência feminina para a masculina ou vice-versa, ao reencarnar demonstrará inevitavelmente os traços femininos ou masculino em que terá estagiado por muitos séculos, em que pese ao corpo de formação masculina ou feminina da atual reencarnação.

Processo de regeneração (punitivo), isto é, quando o Espírito reencarna no corpo feminino ou masculino com obrigações expiatórias, em face dos desvios das faculdades sexuais de vidas passadas (homem que abusou sexualmente da mulher e mulher que abusou sexualmente do homem), por isso é induzido a reencarnar em corpo morfologicamente contrário ao psiquismo (homem renasce em corpo de mulher e mulher renasce em corpo de homem), aprendendo, em regime de prisão e inversão, a reajustar os próprios sentimentos. [2]

Processo de elevação, isto é, quando os Espíritos cultos e sensíveis, aspirando a realizar tarefas específicas na elevação de agrupamentos humanos e, consequentemente, na elevação de si próprios, reencarnam em vestimenta carnal oposta à estrutura psicológica pela qual transitoriamente se definem. Escolhem com isso viver temporariamente ocultos no corpo físico inverso ao psicológico, com o que se garantem contra arrastamentos irreversíveis, no mundo afetivo, de maneira a perseverarem, sem maiores dificuldades, nos objetivos que abraçam. [3]

Em suma, sugerimos aos “confrades” homofóbicos e discriminadores o seguinte: diante dos homossexuais é forçoso dar-lhes o amparo afetivo e educativo adequado, tanto quanto se administra educação à maioria heterossexual. E para que isso se verifique em linhas de justiça e compreensão, caminha o mundo de hoje para mais alto entendimento dos problemas do amor e do sexo, porquanto, à frente da vida eterna, os erros e acertos dos irmãos de qualquer procedência, nos domínios do sexo e do amor, são analisados pelo mesmo elevado gabarito de Justiça e Misericórdia. Isso porque todos os assuntos nessa área da evolução e da vida se especificam na intimidade da consciência de cada um. [4]

Outro “confrade” assegurou-me através do seu próprio véis homofóbico que “Emmanuel” aconselha o celibato para os homossexuais. Ora, em verdade eu não sei (e ninguém sabe) o que vai na intimidade de alguém que opta pela relação homossexual. A minha natureza psicológica particularmente heterossexual não me permite invadir a privacidade homossexual de ninguém. Em face disso, quem sou eu para ajuizar o que é certo ou errado no mundo homoafetivo, considerando o relacionamento homossexual. Não consigo compreender os “confrades” que interpretam a intimidade sexual dos outros como supostamente pura ou impura, sublimada ou animalizada, equilibrada ou destrambelhada!!!

Afinal, quem tem autoridade para ajuizar a consciência do próximo? NINGUÉM! Absolutamente NINGUÉM.

Se há “confrades” que entendem que podem julgar o próximo, “que atirem a primeira pedra!”[5

Referência bibliográfica:

[1]  [1]     XAVIER, Francisco Cândido. Vida e sexo, ditado pelo Espirito Emmanuel, cap. 21, RJ: Ed. FEB. 1977
[2]       idem
[3]       idem
[4]       idem
[5]       João 8:1-11

Preconceitos e homofobias implícitos entre “confrades” (Jorge Hessen)




Jorge Hessen
Brasília.DF

Existem muitos “confrades” que, declarada ou veladamente homofóbicos, são intolerantes a homossexualidade e/ou qualquer sentimento/relacionamento homoafetivo. Obviamente, para um povo místico, preconceituoso e homofóbico que até hoje vê com esguelha um casal inter-racial, não seria diferente com a união estável entre homossexuais.Tragicamente há “confrades” discriminadores, para os quais a homossexualidade é a maldição de Deus. Anunciam essas vertentes (sempre generalizando) como se impuras fossem. Não ignoro que não será de uma hora para outra que esses preconceitos e aversões serão extirpados do imaginário individual e coletivo.

Vários jovens foram banidos de seus lares e até assassinados pelos próprios pais, tão somente porque eles são homossexuais. Infelizmente as concepções e crenças desses progenitores consideram a homossexualidade abjeta ou impura; creem que não conseguem conviver, amar e perdoar o próprio filho.

O “confrade” homofóbico, discriminador, racista etc. é aquele que ainda não aprendeu a lidar com as próprias frustrações em relação a si mesmo. Ele luta cegamente para manter suas ideias deturpadas, porque entende que jaz “doutrinariamente” puro num mundo “pecaminoso” que já se perdeu. Por isso, quando o “confrade” preconceituoso se une a outro “confrade” discriminador, habitualmente eles se tornam impetuosos em defender as suas ideias porque, sem a lógica KARDEQUIANA, é a agressão que prevalece para IMPOR uma “verdade” unilateralmente.

Tais “confrades” com vieses homofóbicos altercam a questão da distorção sexual no corpo físico pela fonte espiritual deturpada. Invariavelmente sob argumentos reducionistas afirmam que os núcleos em potenciação sexual mesclada e desarmônica, traduzido na morfogênese humana, a transmutação sexual redunda numa extensa patologia, em que a homossexualidade ocupa lugar de destaque.

Os enviesados pela homofobia asseguram que os casos patológicos acima citados jamais deverão ser confundidos com “almas femininas” em corpos masculinos ou corpos femininos com “almas masculinas”. Nas suas impetuosidades afirmam que a homossexualidade é caso típico de desvio patológico quando os indivíduos procuram atender às solicitações sexuais com o parceiro do mesmo sexo, em atitudes ativas ou passivas.

Creem que na homossexualidade há a prática sexual deformada com todas as sequelas doentias para o psiquismo, que resvalam para os desvios psicológicos do intersexualismo e transexualismo que podem oferecer campo propício para deságues patológicos na organização sexual periférica, com absorção das desarmonias para a estrutura da alma ou inconsciente.

Sob o guante do viés homofóbico, “confrades” chegam ao ápice ao ressaltarem que na “grande lei dos desvios sexuais” há as perversões do sadismo, masoquismo, exibicionismo e violências de toda ordem. Nesse grupo, a grande percentagem está na homossexualidade, condição de extenso campo de avaliação psicológica.

Para tais “confrades” homofóbicos a personalidade homossexual, em grande número de casos, tem mostrado, ao lado da amabilidade, incontida egolatria, algumas vezes acompanhando posições narcisistas, contribuindo com certo grau de hostilidade para ambos os sexos. São pessoas mais tendentes à ansiedade e a outros sintomas neuróticos, tais como fobias e depressões. Quase sempre são portadoras de esquemas mentais complicados, tornando-se prolixos e enfadonhos no diálogo.

Certa vez um “confrade” me disse com todas as letras: “temos o caso do Chico – clássica inversão [sexual] a serviço do bem”. Mas sempre generalizando com a “autoridade heterossexual”, entende que os homossexuais não estão satisfeitos com a situação de inversão - são em sua maioria revoltados ou insatisfeitos – isso por si só denota a situação expiatória imposta.

Para Emmanuel, na obra Vida e Sexo, a homossexualidade não encontra explicação fundamental nos estudos psicológicos que tratam do assunto em bases materialistas, mas é perfeitamente compreensível à luz da reencarnação.

Observada a ocorrência, mais com os preconceitos da sociedade, constituída na Terra pela maioria heterossexual do que com as verdades simples da vida, a homossexualidade vai crescendo de intensidade e de extensão com o próprio desenvolvimento da Humanidade, e o mundo vê, na atualidade, em todos os países, extensas comunidades de irmãos em experiência dessa espécie, somando milhões de homens e mulheres, solicitando atenção e respeito, em pé de igualdade ao respeito e à atenção devidos às criaturas heterossexuais.

A coletividade humana aprenderá, gradativamente, a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos. [1]

· Podemos compreender a homossexualidade nas três situações seguintes:

Processo de transição, isto é, quando o Espirito está em trânsito evolutivo, da experiência feminina para a masculina ou vice-versa, ao reencarnar demonstrará inevitavelmente os traços femininos ou masculino em que terá estagiado por muitos séculos, em que pese ao corpo de formação masculina ou feminina da atual reencarnação.

Processo de regeneração (punitivo), isto é, quando o Espírito reencarna no corpo feminino ou masculino com obrigações expiatórias, em face dos desvios das faculdades sexuais de vidas passadas (homem que abusou sexualmente da mulher e mulher que abusou sexualmente do homem), por isso é induzido a reencarnar em corpo morfologicamente contrário ao psiquismo (homem renasce em corpo de mulher e mulher renasce em corpo de homem), aprendendo, em regime de prisão e inversão, a reajustar os próprios sentimentos. [2]

Processo de elevação, isto é, quando os Espíritos cultos e sensíveis, aspirando a realizar tarefas específicas na elevação de agrupamentos humanos e, consequentemente, na elevação de si próprios, reencarnam em vestimenta carnal oposta à estrutura psicológica pela qual transitoriamente se definem. Escolhem com isso viver temporariamente ocultos no corpo físico inverso ao psicológico, com o que se garantem contra arrastamentos irreversíveis, no mundo afetivo, de maneira a perseverarem, sem maiores dificuldades, nos objetivos que abraçam. [3]

Em suma, sugerimos aos “confrades” homofóbicos e discriminadores o seguinte: diante dos homossexuais é forçoso dar-lhes o amparo afetivo e educativo adequado, tanto quanto se administra educação à maioria heterossexual. E para que isso se verifique em linhas de justiça e compreensão, caminha o mundo de hoje para mais alto entendimento dos problemas do amor e do sexo, porquanto, à frente da vida eterna, os erros e acertos dos irmãos de qualquer procedência, nos domínios do sexo e do amor, são analisados pelo mesmo elevado gabarito de Justiça e Misericórdia. Isso porque todos os assuntos nessa área da evolução e da vida se especificam na intimidade da consciência de cada um. [4]

Outro “confrade” assegurou-me através do seu próprio véis homofóbico que “Emmanuel” aconselha o celibato para os homossexuais. Ora, em verdade eu não sei (e ninguém sabe) o que vai na intimidade de alguém que opta pela relação homossexual. A minha natureza psicológica particularmente heterossexual não me permite invadir a privacidade homossexual de ninguém. Em face disso, quem sou eu para ajuizar o que é certo ou errado no mundo homoafetivo, considerando o relacionamento homossexual. Não consigo compreender os “confrades” que interpretam a intimidade sexual dos outros como supostamente pura ou impura, sublimada ou animalizada, equilibrada ou destrambelhada!!!

Afinal, quem tem autoridade para ajuizar a consciência do próximo? NINGUÉM! Absolutamente NINGUÉM.

Se há “confrades” que entendem que podem julgar o próximo, “que atirem a primeira pedra!”[5

Referência bibliográfica:

[1] XAVIER, Francisco Cândido. Vida e sexo, ditado pelo Espirito Emmanuel, cap. 21, RJ: Ed. FEB. 1977
[2] idem
[3] idem
[4] idem
[5] João 8:1-11

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

O Pensamento é uma das Manifestações do Principio Psíquico


José Sola

A psicologia, a psicanálise, e a psiquiatria são as ciências que estudam o comportamento da psique, e embora não hajam ainda se aprofundado nos meandros da mente, e se demorem na analise de periferia, mas já nos apresentam informações valorosas, cooperando ativamente no tratamento de distúrbios que afetam a mente humana. 

Mas como o mecanismo da evolução é implacável, estás ciências que de momento se demoram estudando apenas os efeitos, que a mente lhes revela, vão de futuro mergulhar nas causas, e entenderão de que a psique (pensamento), não se restringe a elaboração de energias resultantes de atritos das células neuronais, pois descobrindo o eu inteligente, o espirito, descobrirão a causa dessa energia que alguns cientistas chamam de ideoplastia mental. 

E ao ilustre médico psicanalista Jorge Andréa coube os méritos de estudar a psique a luz da doutrina espirita, desvendando os arcanos da mesma, revelando-nos que as energéticas da mente, se manifestam individualizadas, definidas, arquivando momentos diferenciados dessas energéticas. 

Em seu livro “Energética do Psiquismo” somos informados de que a psique humana manifesta o inconsciente puro, o inconsciente atual ou presente, o inconsciente passado ou arcaico, e o consciente, entretanto importa lembrar de que essa seleção que apresentamos a energética da mente, o fazemos apenas para estudar separadamente o comportamento de cada uma delas, pois as mesmas se manifestam num único momento, ou seja a energética é única, vivendo momentos diferenciados de ser.

No livro “Memórias de um Suicida” o espirito de Camilo nos apresenta através de Yvonne Pereira a comprovação desta realidade, entretanto neste relato, ele nos esclarece ainda e também de que a imantação não acontece apenas na mente do “ser”, mas na ambiência em que haja se dado um acontecimento qualquer, vejamos:

“Mais real do que o atual cinematógrafo, e superior ao engenho da televisão de momento, esse magnifico receptor de cenas e fatos, tão usado em nossa colônia, e que tanta admiração nos causava, em esferas mais elevadas desdobrava-se, evolutia até atingir o sublime no auxílio à instrução de espíritos em marcha para a aquisição de valores teóricos que lhes permitissem, futuramente, testemunhos decisivos nos prélios terrenos, indo rebuscar, e selecionar, nas longínquas planícies do espaço celeste, o próprio passado do Globo Terráqueo e de suas humanidades, sua História e suas civilizações, assim como o pretérito dos indivíduos, se necessário, os quais jazem esparsos e confundidos nas ondas etéreas que se agitam, se eternizam pelo invisível adentro, nelas permanecendo fotografados, impressos como num espelho, conquanto se conservem confusamente, de roldão com outras imagens, tal como na consciência das criaturas se imprimiram também seus próprios feitos suas ações diárias!”

Mas embora seja uma única energética vivendo manifestações diferentes de ser, estaremos a apresenta-las separadas, como o fez Jorge Andréa para que possamos compreendê-las em seus momentos diferenciados de manifestação. 

O inconsciente puro é a energética que encerra em potenciação o “eterno vir a ser” que iremos maturar na eternidade, e este nós o herdamos de Deus em absoluto, e disto podemos nos aperceber quando na maturação da substancia, iniciamos a nossa caminhada em busca da individualidade no reino do minério, então a centelha divina ainda dormita, e o principio inteligente, revestido de matéria densa, não havendo desenvolto um potencial maior de inteligência, desempenha um trabalho moroso, mas continuo, impulsionado pelo mecanismo da evolução, para depois de bilenios, começar a sonhar no reino vegetal, e maturar-se ainda por outros tantos bilenios, para agitar-se no animal, despertando por fim no homem, fatalizado contudo a evoluir na eternidade.

O inconsciente atual ou presente é a energética que arquiva as vivenciações já maturadas, já automatizadas, mas que necessitam se manifestar no campo do consciente, pois é esta energética que propicia aconteça o carma, ou destino do espirito encarnado. Já apreendemos de que a evolução é inexorável e não relega nenhum elemento que constitui a vida do universo ao esquecimento, e para que estejamos evoluindo, o espirito não pode reter energéticas negativas arquivadas no inconsciente para sempre, lógico de que a energética permanecerá para sempre, mas então sublimada.

O inconsciente passado é a energética da alma, que encerra os acontecimentos mais remotos, acontecimentos estes, que podemos rememorá-los a partir do reino animal, pois nos reinos mineral, e vegetal, a centelha divina, que com a evolução vai se tornar espirito, ainda não havia se individualizado, e é por este motivo que neste campo energético não encontramos mais as vibrações negativas envolvendo essa energética. Como retro informado a regressão natural acontece no campo da genética, através do processo da fecundação, a partir do reino animal, e isto temos apreciado através de vídeos realizados no percurso da gravides.

Embora entendamos que o inconsciente sendo o mesmo em todos os seus momentos de manifestação, não haja ainda elaborado a consciência, que é o parâmetro de aferição do ser, com a Consciência cósmica do universo, entretanto deduzimos, de que nos reinos que antecedem o animal e o humanoide, tanto quanto e também, enquanto que a centelha divina ainda se demore no núcleo da substância, a centelha divina, ou principio inteligente, já haja iniciado a elaboração desse parâmetro.

A consciência é a energética da mente em que os inconscientes se manifestam, e o que é mais interessante, cada inconsciente vive um momento de maturação diferenciada, mas é precisamente nesse campo energético, que a energética do inconsciente presente, e o inconsciente puro se combina para estarem propiciando a evolução do ser. O inconsciente puro é a energética da alma que encerra em seu núcleo, os atributos infinitos que herdamos de Deus e os trazemos em potenciação, enquanto que o inconsciente atual, não é outra coisa que não o inconsciente puro, já modificado pelo processo da maturação, mas que encerra ainda vibrações desarmônicas, e como já o informamos necessita purificar-se.

As energéticas desses dois inconscientes é que se combinam na consciência, propiciando-lhes a iniciativa em busca dos fenômenos que se demoram no ignoto, tanto quanto e também as vicissitudes e virtudes já conquistadas pelo espirito, e ainda as informações passadas por outras mentes, que promovem a evolução de nossa alma imortal, e isto na eternidade. Entretanto importa lembrar de que as energéticas que recebemos em forma de informações, não permanecerão radicadas em nosso espirito, pois como já vimos em o texto “Os Acontecimentos da Vida Imantados na Consciência Cósmica para a Eternidade”, já recebemos de Deus em absoluto, tudo o de que necessitamos para evoluir na eternidade, não temos como dar ou receber nada de quem quer que seja, nem mesmo amor e luz de uma mamãe, ou a uma mamãe.

E o campo de manifestação dessas energéticas, é o principio psíquico, já o tenho apresentado em outros textos, mas se não o apresentar neste, o mesmo fica incompleto. Temos informado de que quando na maturação da substância, exteriorizam-se para formar o “Ser”, a centelha divina (espirito), o corpo energético (períspirito), o principio psíquico (corpo espiritual, ou corpo mental), e o elemento matéria-energia. São esses os quatro elementos de que podemos nos aperceber, entretanto existem infinitos outros que nos escapam a percepção. E esses atributos que herdamos do Eterno, se demoram radicados, isto é, coexistem formando um elemento único, representando uma função importantíssima na vida do “Ser”, embora não devamos nos esquecer de que é a centelha divina, o principio inteligente (espirito) que imprime a vida inteligente aos demais.

Como retro informado, e a própria ciência convencional o corrobora, o pensamento é uma emanação psíquica, é o principio psíquico manifestando-se através da mente, e isto nos leva a deduzir de que se o principio psíquico, não estivesse radicado ao espirito, em outras palavras não estivesse em simbiose com o mesmo, não apresentaria condições para que o pensamento se exteriorizasse subordinando-nos a consciência.

E alguém poderá dizer, mas o pensamento é um raciocínio da mente, pensamento é espirito, e isto é verdade, mas infelizmente raciocinamos pouco, nos permitindo a maior parte das vezes sermos conduzidos pelos pensamentos, e o que é mais interessante, de vidas outras passadas, demorando-nos a repetir os mesmos equívocos de outras reencarnações, e desta forma apenas passamos pela existência física, reprisando as mesmas vicissitudes, e assim acontecerá até que nos entediemos dessas repetições, e desejemos iniciar vida nova.

Como vimos o pensamento se manifesta sem que o trabalhemos a luz do raciocínio da logica, e da razão, e em muitas oportunidades opondo-se a nossa vontade, quando esta ainda for frágil, e é por este mesmo motivo que nossa evolução é lenta, entretanto tornar-se- a muito mais rápida, quando impormos nossa vontade e direcionemos nosso pensamento modificando lhe o curso vicioso que este conserva automatizado mesmo, no campo do inconsciente atual.

E outra manifestação do principio psíquico, de maneira inconsciente, são as funções inteligentes dos órgãos humanos, pois não pensamos para que estes exerçam as suas funções, e estás são de fundamental importância para a vida humana, pois se alguns desses órgãos pararem poderão causar consequências graves, e até levar o individuo a morte, um exemplo é o coração.

E não devemos nos esquecer de que essa inteligência, que o pensamento irradia através da mente, independente de nosso raciocínio, e até mesmo de nossa vontade, tanto quanto e também as funções inteligentes exercidas pelos órgãos, é a inteligência do espirito que se irradia por todo o corpo através do principio psíquico (psiquismo, ou corpo mental), o que nos leva a deduzir de que o principio psíquico ou psiquismo, é a energia associada ao corpo energético e ao corpo material, que permite ao espirito imante esses dois atributos de Deus que compõe o “Ser” dos atributos infinitos que herdamos do Criador.

O pensamento é uma energia muito rarefeita, volátil é uma das modalidades de manifestação do principio psíquico, entretanto o mesmo se reveste de matéria em outra dimensão, e isto temos visto através de estudos realizados por cientistas soviéticos, pois estes elaboraram um aparelho sensível, o bastante para ser armado ou desarmado através da mente, e alcançaram êxito nessa experiência.

Temos também a experiência desenvolvida por Backster, em que este se utilizou de um galvanômetro ligado a um gráfico, conectado a folha de uma planta, havendo ainda um tacho de agua fervente, e um vaso com camarões vivos, e em um determinado momento, um dispositivo acionaria esse mecanismo e lançaria a agua fervente sobre os camarões.

E para certificar-se de que não estaria intervindo na experiência com seu pensamento, ausentou-se.

Voltando após um período de tempo, verificou que o gráfico apresentava movimentos bruscos, confirmando que a planta se sensibilizou no momento em que os camarões foram mortos. (Ver o livro “A Vida Secreta das Plantas”) 

Vemos a preocupação do experimentador, quanto à possibilidade de afetar a experiência com seu pensamento.

E podemos deduzir que esta ação do pensamento sobre um mecanismo qualquer, só é possivel pelo fato de ser este revestido por matéria em outra dimensão, pois se fosse apenas uma energia psíquica, não o conseguiria, pois só a matéria pode oferecer campo de resistência à matéria. 

E eu venho já a um bom tempo afirmando existir outro elemento, que radicado a centelha divina (espirito), corpo energético (períspirito), e matéria-energia (elemento que forma o corpo físico), o principio psíquico (elemento este que forma o corpo espiritual), e esta minha afirmativa, com certeza, tem sido compreendida como um pensamento por mim elaborado, mas não é, mais uma vez, apresento uma revelação de André Luiz. 

E este relato de André Luiz o encontramos em o livro “Evolução em Dois Mundos” no capitulo Corpo Espiritual, pois ele denomina o corpo espiritual de retrato do corpo mental, e não deixa duvida alguma, de que o corpo mental, não é o períspirito, em outras palavras, o corpo espiritual, é a resultante da manifestação da energia mental (pensamento), que reveste o espirito, configurando lhe a forma, de conformidade ao momento evolutivo em que este se demore, vejamos: “RETRATO DO CORPO MENTAL – Para definirmos, de alguma sorte, o corpo espiritual, é preciso considerar, antes de tudo, que ele não é reflexo do corpo físico, porque, na realidade, é o corpo físico que o reflete, tanto quanto ele próprio, o corpo espiritual, retrata em si o corpo mental que lhe preside a formação.

Do ponto de vista da constituição e função em que se caracteriza na esfera imediata ao trabalho do homem, após a morte, é o corpo espiritual o veiculo físico por excelência, com sua estrutura eletromagnética, algo modificado no que tange aos fenômenos genésicos e nutritivos, de acordo, porém, com as aquisições da mente que o maneja.

Todas as alterações que apresenta , depois do estagio berço-tumulo, verificam-se na base da conduta espiritual da criatura que se despede do arcabouço terrestre para continuar a jornada evolutiva nos domínios da experiência.

Claro está, portanto, que é ele santuário vivo em que a consciência imortal prossegue em manifestação incessante, além do sepulcro, formação sutil, urdida em recursos dinâmicos, extremamente porosa e plástica, em cuja tessitura as células, noutra faixa vibratória, à face do sistema de permuta visceralmente renovado, se distribuem mais ou menos a feição das partículas coloides, com a respectiva carga elétrica, comportando-se no espaço segundo a sua condição especifica e apresentando estados morfológicos conforme o campo mental a que se ajusta”.

Nesta informação André Luiz nos revela que o corpo mental (principio psíquico), se reveste de matéria em outra dimensão e nos informa que esta é extremamente porosa e plástica, em cuja tessitura as células, noutra faixa vibratória, revestem a energia psíquica definindo lhe o estado morfológico, ou seja, a configuração.

(Em nota o autor espiritual explica de que se utilizou desses elementos comparativos, por não haver meios de comparação mais adequada) 

E o retrato mental do espirito, mesmo depois de desencarnado, se demora conforme o campo mental em que este se ajusta, e isto nos é corroborado em o Livro “Libertação” quando a senhora que tirou a vida, de seu esposo, e o colocou nos trilhos do trem, perante a lei dos homens, ela passou impune, mas vivendo a auto hipnose praticada pelos juízes das trevas, a transformaram em uma loba, pois o retrato de sua mente era de ferocidade, isto no que concerne as entidades infelizes.

Mas as entidades evoluídas também manifestam seu estado morfológico, conforme o campo mental em que se ajustam, e disto somos informados pelos espíritos superiores, por exemplo, Kardec, que se por uma necessidade qualquer precisar apresentar-se como o discípulo de Jesus que foi, - conforme somos informados por Humberto de Campos, - viverá uma auto regressão, e estará apresentando ao corpo mental a configuração que possuía quando viveu o discipulado com Jesus.

Então podemos deduzir de que o corpo espiritual, ou retrato mental, conforme nos narra André Luiz, seja o principio psíquico, ou a psique de que nos fala a psicologia, a psicanalise, a psiquiatria, que radicada ao espirito, lhe possibilita manifestar suas sensações, tanto quanto os atributos que herdou de Deus, e que conserva em potencialidade no inconsciente puro, como um eterno vir ser, e dentre estes atributos, o que nos possibilita a oportunidade de aprecia-lo e corrobora-lo, é a inteligência.

Pois como retro informado a mesma atua nos órgãos do corpo físico, sem que nos demoremos direcionando o mesmo, pois não nos é necessário aplicar nossa inteligência para que o coração bata de oitenta a cento e vinte vezes por minuto, para irrigar nosso corpo, tampouco nos é necessário aplicar nossa inteligência exigindo aos rins que filtrem o sangue, e muitos ignoram mesmo a existência do sistema endócrino, com suas funções especificas, e se o ignoram como aplicar-lhe a inteligência, e a nenhum de nossos órgãos, pois não temos sequer a noção de que estes estejam exercendo essas funções inteligentes, e a lógica nos leva a concluir de que os atributos divinos que herdamos de Deus, se manifestam através do corpo mental, insuflando nosso micro universo dessa herança divina.

E de maneira mais evidente ficam corroboradas as palavras de Jesus, quando nos afirma, vós sois deuses, ou que somos a imagem e semelhança de Deus, ou ainda as de Kardec, quando nos diz em o livro “A Gênese” de que o universo está para Deus tanto quanto nosso corpo está para nosso espirito.

E conforme vamos nos aprofundando em nossos estudos, verificamos de que está analogia apresentada por Allan Kardec, encerra uma lógica e uma racionalidade mais profunda do que parece a primeira vista, como confirmaremos a seguir. 

Assim como o espirito se manifesta no micro universo que é, como um deus, atuando no corpo energético, ou períspirito, e no corpo de matéria a vida inteligente que herdou de Deus, através do corpo espiritual, (corpo mental) insuflando esses corpos da vida inteligente que possui como um eterno vir a ser; Deus manifesta a sua vida, no infinito do universo, através do Fluido Universal conforme somos informados por Kardec, e é esse fluido universal que possibilita ao Criador manifeste a Vida plena e absoluta no todo do mesmo.

Em outras palavras, Deus manifesta a vida no universo, sem viver a preocupação de Criar os mundos ou sóis, ou qualquer outra modalidade de vida, á mesma flui de Seu Ser, pois Ele é a fonte originária de toda a Vida, e podemos em analogia entender de que o Fluido Universal seja o Corpo Espiritual de Deus, é através desse Fluido que o Mesmo manifesta a Vida absoluta, pois o Criador contém a Vida em absoluto na eternidade, e esta se manifesta no infinito do universo.

(Quanto às questões 37 e 38 de o “Livro dos Espíritos”, em que Kardec questiona o Espirito da Verdade a respeito da Criação, já as extrapolei algumas vezes em textos que fazem parte de um livro que pretendo publicar “Manifestação da Vida – Deus”, que esta passando por correção ortográfica).

Quanto à energia irradiada pela mente, a que denominamos pensamento, esta é uma modalidade de manifestação do principio psíquico, é através do pensamento que o espirito volita, em algumas oportunidades aplicando a sua vontade, e em outras basta ao mesmo viver uma lembrança, e estará se projetando para o local imaginado.

A ciência entende de que a seja luz o elemento matéria, que se locomove a trezentos mil quilômetros por segundo, o mais rápido do universo; entretanto embora a psicologia, a psicanalise, ou a psiquiatria, ainda não hajam mergulhado na causa, que manifesta o pensamento, mas com a evolução, realizarão essa façanha maravilhosa, e então compreenderão de que o pensamento (idioplastia mental) é a energia revestida de matéria em outra dimensão, o veiculo de locomoção mais rápido do universo.

E temos que considerar ainda, de que essa velocidade, está direta e proporcionalmente relacionada à evolução do espirito, quanto mais evoluído for o espirito, seu pensamento se deslocará com maior velocidade, e como sabemos que existem espíritos evoluídos de que nos escapa a percepção, com certeza a velocidade desse pensamento é vertiginosa.

Mas já que estamos falando do corpo espiritual e da volitação, vamos uma vez mais nos amparar nas informações apresentadas pelo amigo maravilhoso de sempre, pois o mesmo tem algo mais a nos revelar. (ver o livro Evolução Em Dois Mundos no Capitulo Corpo espiritual e volitação). 

“– Na metamorfose dos insetos, a histólise alcança notadamente os músculos e a maquina digestiva, atingindo apenas levemente o sistema nervoso e o sistema circulatório.

Efetuado o processo histólitico, segundo referencias alinhadas em outra parte de nosso estudo, os órgãos diferenciados voltam à posição embrionária, que lhes era característica e só então as células entram em segmentação, formando na histogênese os órgãos definitivos do inseto adulto, armado de recursos para librar na atmosfera.

Assim também, após a transfiguração ocorrida na morte, a individualidade ressurge com naturais alterações na massa muscular e no sistema digestivo, mas sem maiores inovações na constituição geral, munindo-se de aquisições para o novo campo de equilíbrio a que se transfere, diferentes, com possibilidades de condução e movimento efetivamente não sonhados, já que o pensamento continuo e a atração, nessas circunstancias, não mais encontram certas resistências peculiares ao envoltório físico.

Ao homem comum, na encarnação, não é fácil, todavia, a articulação de uma ideia segura com respeito às condições de seu próprio corpo espiritual, além tumulo, porque a mente no plano físico, está inteiramente condicionada ao trabalho especifico que lhe compete realizar, inelutavelmente circunscrita aos problemas de estrutura, e, por isso mesmo, incapacitada de identificar o reino inteligente de raios e ondas, fluidos e energias turbilhonantes em que vive”.

Andre nos apresenta uma analogia entre os insetos, quando passam pela metamorfose para atingir a condição de inseto adulto, para poder librar na atmosfera, e o homem (espírito), que quando do fenômeno denominado morte, adquire as condições necessárias para locomover-se através da volitação, libertando-se do invólucro de matéria, e locomover-se através do veiculo do pensamento.

Como retro informado, em algumas oportunidades, o espirito deseja dirigir-se para alguma região da Terra, ainda que no espaço da mesma, movimenta a sua vontade e realiza a sua viagem, é claro que em regiões que lhe respondam as condições vibracionais de momento, pois não adianta a um espirito tentar uma viagem a um mundo de uma evolução maior, pois não havendo adquirido a maturação necessária, sua vibração não lhe responderá aos desejos.

Entretanto existem momentos em que o espirito não precisa aplicar a vontade, basta pensar, e o pensamento o projeta de imediato ao recanto de seus sonhos.

Existem muitos espíritos que não pensam, e não desejariam mesmo, mas são projetados em regiões trevosas por haverem durante a sua existência enquanto encarnados, desenvolto vibrações símiles aos espíritos que imantam esses recantos lúgubres, pois como já estamos informados, não é Deus quem nos envia para as trevas, somos nós mesmo que para a mesma nos projetamos.

E sendo o pensamento como já o informamos, uma das modalidades de manifestação do corpo espiritual (principio psíquico, ou corpo mental), que conforme o dizer de André Luiz, é uma energia rarefeita volátil, estando esta radicada ao espirito, e ao períspirito, ao ser projetada, ou ao projetar-se, através de uma lembrança, ou de um desejo, conduz o “ser espiritual” numa viagem que pode ser vertiginosa, dependendo da evolução do espirito.

André Luiz nos informa de que o corpo espiritual é o veiculo físico por excelência, com sua estrutura eletromagnética, o corpo que em simbiose com o espirito, pois pensamento é espirito, lhe possibilita manifestar os infinitos atributos que herdou da Fonte Originaria da vida que é Deus, lógico que de forma gradativa, através da maturação do mesmo na eternidade. 

Temos nos preocupado com a causa que origina o pensamento, tanto quanto de seus meios de volitação, então vamos agora pensar um pouco nas infinitas propriedades que o mesmo nos apresenta em sua manifestação. 

E já que estamos de momento nos utilizando das informações de André Luiz.

Lembramos aqui o momento em que sob a direção de Cornélio, André e outros amigos da espiritualidade, estiveram criando uma arvore frondosa, um lago, o gramado e algumas flores, o céu azul, e após haverem criado este cenário lhe deram vida. Como este relato de André Luiz já foi por mim apresentado algumas vezes, então não irei transcrevê-lo completo, na integra apenas o trecho que em que eles dão vida a esta criação maravilhosa de suas mentes, vejamos: “Cornélio sorriu, evidenciando grande satisfação, e determinou que os dois auxiliares conservassem a destra unida ao gabinete. Desde esse momento, como se uma operação magnética desconhecida fosse posta em ação, nossa pintura coletiva começou a dar sinais de vitalidade temporária. 

Algo de leve e imponderável, semelhante a caricioso sopro da Natureza, agitou brandamente a árvore respeitável, balouçando-se os arbustos e a minúscula erva, a se refletirem nas aguas muito azuis, docemente encrespadas de instantes a instantes.” 

Este sublime relato está inserido em o livro ”Obreiros da Vida Eterna” no Capitulo O Sublime Visitante, procurem lê-lo por inteiro vale a pena.

Nesta revelação maravilhosa de André Luiz, somos informados de uma das infinitas propriedades de nossa mente, pois além de criarem a forma pensamento, conseguiram dar vida temporária a essas formas. Acreditamos que neste caso a harmonia das mentes desses espíritos com as leis naturais da vida, lhes possibilitou arregimentar as forças harmônicas da Natureza, permitindo-lhes a conquista desta benção sublime, pois a vida em sua origem tem como fonte única Deus.

E temos ainda um livro, que transcende a muito as obras de Ernesto Bozzano, e Yvonne Pereira, cujo titulo do livro é “A Vida Além do Véu”, obtido mediùnicamente pelo pastor protestante Rev. G. Vale Owen.

Quem escrevia através de suas mãos revelando-lhe a vida espiritual sequenciando a vida material, logicamente que constituída de matéria em outra dimensão, era a sua mamãe, e duvidar dessas comunicações é impossível, pois a religião protestante não se demora conforme as informações que o mesmo obtinha da espiritualidade, os protestantes acreditam que depois da morte a alma vai para o céu, ou para o inferno, e ponto final.

E o espirito da mãe do Rev. Owen o informa a respeito dos habitats em que os espíritos habitam os aparatos de que utilizam depois do desencarne na vida espiritual. 

(Ver o livro “Devassando o Invisível” Capitulo 1, página 17. 

E ainda nesse mesmo livro de Yvonne Pereira no Capitulo, “Como se trajam os Espíritos, na pagina 45”.

Numa sessão, o espirito de Lélia forma com um sopro, aos olhos dos assistentes, um tecido leve de gaze branca, que se estende pouco a pouco e termina por cobrir todas as pessoas presentes.

Existem outros tantos mais, mas quem desejar verifica-los, e estudar – lhes o mecanismo, encaminhamos para o livro “Devassando o Invisível”, de Yvonne Pereira. 

Mas ainda não apresentei nada que haja dito nosso mestre Alan Kardec, o parecer dele, está acima de todos os demais, e se eles pudessem me responder, concordariam, tenho certeza absoluta que estão concordando, então vou apresentar a questão 95 de o “Livro dos Espíritos”.

Pergunta: O involucro semimaterial do Espirito tem formas determinadas e pode ser perceptível?

Resposta: - Tem a forma que o Espirito queira. É assim que este vos aparece algumas vezes, quer em sonho, quer no estado de vigília, e que pode tomar forma visível, mesmo palpável.

Ver também o livro “A Gênese” no Capitulo 14, parágrafos 13 e 14, pois nesses parágrafos, Kardec nos fala sobre os fluidos espirituais nos informando que este é um dos estados do Fluido Cósmico universal.

E esta premissa já a informamos acima neste texto.

A mistificação dos espíritos, quando estes tentam passar por uma entidade evoluída, é a manifestação e uma das infinitas propriedades dos espíritos, e não se trata de uma regressão de memória, pois quando isto acontece o mesmo está reassumindo configurações vividas em reencarnações passadas, ao passo que o mistificador, está reproduzindo a configuração física de outro espirito.

Apresento o relato de um acontecimento que se deu com um familiar querido, que se permitiu subjugar por seu inimigo do passado, e logo após haver se deitado, a entidade infeliz dele se apossou, este familiar nessa noite estava dormindo em minha casa, e quando lhe foi possivel se libertar do domínio dessa entidade, naturalmente com o auxilio dos mentores amigos, deu um grito, e assustado repetia, ele quer me matar.

Demoramos a retornar ao sono, pois o amigo querido sentia medo de dormir, e ser assediado novamente pelo obsessor, mas o cansaço acabou vencendo e finalmente o amigo adormeceu, já eram três horas da madrugada.

Quando o amigo querido adormeceu, os mentores espirituais me provocaram o desdobramento, e me encaminharam ao encontro da entidade, digo me encaminharam, pois não dependeu de mim, fui apenas um instrumento da espiritualidade, como em outras oportunidades.

E encaminhado por eles, encontrei o amigo infeliz, mistificando ser minha mãe.

Estava sentada em uma cadeira no porão, com a mesma configuração física que possuía em vida, com um lenço na cabeça, óculos pesados, pois ela havia feito uma cirurgia da catarata, e necessitava usar essa lente de maior grau, e pesada.

Demorava-se envolta por uma luz de um amarelo claro, mas nebulosa, e apresentava algumas palavras como se fossem um queixume, e a vibração era daquelas que causam certo arrepio.

Ciente de que graças a Deus, e a Jesus, minha mãe se demora bem na espiritualidade, cheguei junta a mesma, lhe coloquei o braço no ombro, olhei em seu rosto e lhe disse: está mistificando em amigo. 

Quando a entidade se viu descoberta em sua intenção de enganar, deu uma gargalhada daquelas que a maioria de nós espiritas já conhecemos e voltou a sua condição natural, saiu correndo, gargalhando, olhando para trás, como que a convidar-me que a perseguisse, mas esta não era a intenção dos mentores, e eu não fui atrás da mesma.

Este relato que apresento, acontece muito no meio espirita, principalmente aqueles que tenham a faculdade de desdobramento desenvolta, mas a minha intenção ao apresentar esta experiência, é corroborar uma das infinitas propriedades da psique, e de certa forma lembrar o que são capazes alguns dos obsessores.

Mas importa ressaltar de que para mistificar a configuração física da minha mãe, a entidade não esteve obtendo-as na mente de seu espirito, e tampouco esteve a apreciar a sua presença, pois os espíritos mais evoluídos se demoram em outra dimensão, mesmo para os desencarnados, tanto é assim, que alguns deles necessitam se materializar, para se permitirem apreciar, mesmo por espíritos que hajam adquirido certa evolução. E lembramos que o espirito iluminado de Matilde, para ser vista e reconhecida por Gregório que se demorava como um sacerdote das trevas, - este houvera sido seu filho de outras heras, - necessitou materializar-se através do espirito de Gúbio. (Ver o livro Libertação de André Luiz, psicografado por Francisco Candido Xavier) 

Esses dados ele os obteve na mente do subjugado, pois o mesmo conhecia perfeitamente minha mãe, mais conviveu com ela por um período de tempo. 

E dentre as infinitas propriedades da psique, destacamos que algumas vezes, amamos alguém com todas as nossas forças, – quase sempre é paixão, não é amor verdadeiro – mas esse alguém nos ignora por completo, entretanto ao dormirmos, através do sonho, criamos a imagem mental, dando-lhe vida mesmo, e está imagem nos responde ao sentimento que dedicamos a essa pessoa. Esta possibilidade nos era ignorada, mas como retro citado, André Luiz nos informa da capacidade da mente de dotar essa imagem de vida, e no caso temporária.

E o mais interessante é que essa imagem assimila os nossos pensamentos e sentimentos, respondendo aos mesmos, como nós desejamos que fosse. 

E como vou continuar este estudo, pois a seguir estarei escrevendo um texto sobre a hereditariedade, e o tema central continuará sendo o principio psíquico, ou corpo mental, então espero haver-me feito objetivo e claro nesta extrapolação, em que apresento a mais essa revelação de nosso amigo André Luiz, pois eu não estou apresentando nada meu, eu só posso procurar as maravilhas que nos foram apresentadas por Kardec e pelos espíritos amigos, e estuda-las, no intento de cooperar em nosso aprendizado.

Sola