sexta-feira, 24 de março de 2017

Um homem, uma história resignificando o vínculo solidário (Jorge Hessen)


Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com 

Objetivando transmitir uma mensagem de “alento” e “esperança” a pessoas em desespero, John Edwards, de 61 anos, um ex-dependente de drogas e ex-alcóolatra (sóbrio há mais de duas décadas) inexplicavelmente se voluntariou deitar em um caixão que foi fechado e enterrado no terreno de uma igreja de Belfast, na Irlanda do Norte. Obviamente o ataúde foi especialmente adaptado para que Edwards “sobrevivesse” por três dias (quando fosse desenterrado) e pudesse transmitir a experiência ao vivo pelas redes sociais.

No passado Edwards enfrentou abuso sexual, viveu na rua, recebeu tratamentos para distúrbios mentais, sobreviveu a várias overdoses e “perdeu” mais de 20 amigos por conta de abuso de drogas, álcool e suicídios. Sobreviveu a dois cânceres e a um transplante de fígado após desenvolver hepatite C por causa de uma agulha contaminada.

Há quase 30 anos, após passar pelo que descreveu como um "incrível encontro com Deus”, Edwards criou vários centros cristãos de reabilitação e abrigos para moradores de rua. Atualmente se dedica a aconselhar e orar com pessoas em situações de abandono e desesperança. [1]

Em que pese o desígnio altruístico de John Edwards, é evidente que agiu de forma irracional ao se permitir enterrar vivo por três dias, visando gritar o brado da “esperança” para as pessoas em desespero. A rigor, tal manifesto não faz sentido lógico sob qualquer análise racional. Entretanto, deixando de lado essa insanidade (sepultar-se vivo), vislumbremos os efeitos positivos da transformação de sua vida pessoal.

Importa reconhecermos que os diversos núcleos de reabilitação e abrigos para moradores de rua instituídos por John são passaportes pujantes para auto conquista da paz espiritual. Nisso Edwards acertou em cheio, pois embrenhou-se no orbe da solidariedade através do compartilhamento de um sentimento de identificação em relação ao sofrimento alheio. Não apenas reconheceu a situação delicada dos moradores de rua, mas também auxiliou essas pessoas desamparadas.

Sabemos que os males que afligem a Humanidade são resultantes exclusivamente do egoísmo (ausência de solidariedade). A eterna preocupação com o próprio bem-estar é a grande fonte geradora de desatinos e paixões desajustantes. A máxima “Fora da Caridade não há Salvação” [2] é a bandeira da Doutrina Espírita na luta contra o egoísmo. Nesse sentido, a solidariedade é a caridade em ação, a caridade consciente, responsável, atuante, empreendedora.

Os preceitos espíritas contribuem para o progresso social, deterioram o materialismo, orientam para que os homens compreendam onde está seu verdadeiro interesse. O Espiritismo destrói os preconceitos “de seitas, de castas e de raças, ensina aos homens a grande solidariedade que deve uni-los como irmãos” [3]. Destarte, segundo os Benfeitores espirituais, “quando o homem praticar a lei de Deus, terá uma ordem social fundada na justiça e na solidariedade” [4].

A recomendação do Cristo de “que vos ameis uns aos outros como eu vos amei” [5] assegura-nos o regime da verdadeira solidariedade e garante a confiança e o entendimento recíproco entre os homens. A solidariedade na vida social é como o ar para o avião.

É imprescindível darmo-nos através do suor da colaboração e do esforço espontâneo na solidariedade para atender substancialmente as nossas obrigações primárias à frente do Cristo. [6]

Ante as responsabilidades resultantes da consciência doutrinária que nos impõe a superar a temática de vulgaridade e imediatismo ante o comportamento humano, em larga maioria, a máxima da solidariedade apresenta-se como roteiro abençoado de uma ação espírita consciente, capaz de esclarecer e edificar os corações com a força irresistível do exemplo



Referências bibliográficas:

[1] Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/curiosidades-39191185 acesso em 21-03-2017
[2] Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, Cap. XV
[3] Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000, pergunta 799
[4] Idem 
[5] Jo 15.12
[6] Xavier, Francisco Cândido. “Fonte Viva” ditada pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1992

quarta-feira, 15 de março de 2017

Espíritos afins (Jorge Hessen)


Jorge Hessen

Jennifer Bricker participa de espetáculos de acrobacias aéreas e fascina as plateias com sua técnica. O mais impressionante é que Jennifer não possui as duas pernas. Aos 11 anos, já era uma campeã da ginástica, esporte pelo qual se apaixonou ao ver Dominique Moceanu ganhar uma medalha de ouro olímpica para os Estados Unidos em 1996.

Jennifer não sabia, porém, que as duas tinham muito mais em comum do que o talento de atleta, eram irmãs consanguínea. Jennifer tinha poucos meses quando foi entregue para adoção porque não tinha pernas. Aos três anos recebeu próteses para as pernas, mas nunca as usava - se movimentava melhor sem elas. Ela adorava ver a equipe de ginástica feminina dos Estados Unidos e, especialmente, uma atleta: Dominique Moceanu.

Aos 10 anos, ela disputou os Jogos Olímpicos da Juventude e aos 11, foi campeã de ginástica tumbling pelo Estado de Illinois. Quando completou 16 anos, Jennifer perguntou à Sharon, a mãe adotiva, se havia algo que ela não tinha lhe contado sobre a sua família biológica. A adolescente não imaginava que a resposta fosse "sim". Sharon revelou-lhe que o sobrenome da sua família biológica era Moceanu e Dominique era sua irmã.

Quatro anos depois, Jennifer escreveu uma carta para Moceanu, contando sua história explicando que Dominique foi seu ídolo a vida inteira a tinha inspirado a ser uma ginasta também. Ambas se encontraram e se conheceram pessoalmente até hoje estão unidas.

Outro caso interessante aconteceu com as irmãs gêmeas Anais Bordier e Samantha Futerman. Ambas puderam se conhecer após 25 anos de idade. Uma não sabia da existência da outra, mas, um episódio da vida e a internet fizeram com que elas se reunissem. Ambas foram separadas depois do nascimento na Coréia do Sul e viveram e adotadas por famílias em diferentes países; Anais, em Paris, na França, e Samantha, em Los Angeles, nos Estados Unidos.

O reencontro começou a ser desenhado em dezembro de 2012, enquanto Anais, uma designer de moda, estava em um ônibus e recebeu de um amigo a imagem de um vídeo do YouTube onde aparecia Samantha, que é atriz. Anais diz que pensou que alguém havia postado um vídeo dela, mas percebeu que era uma garota que vivia nos Estados Unidos muito parecida com ela.

Entrou em contato pelo Skype e ficaram mais de três horas de conversa. Posteriormente elas se conheceram pessoalmente em maio de 2013, em Londres, e desde então, mesmo vivendo em países diferentes, se comunicam várias vezes ao dia. Para Anais, descobrir que tem uma irmã é incrível, mas perceber que tem uma irmã gêmea é ainda mais inacreditável, porque as duas têm muito em comum.

A história das irmãs foi transformada no livro "Separated @ Birth: A True Love Story of Twin Sisters Reunited", lançado em 2014 e o interessante é que cada uma escreveu um capítulo alternadamente.

Sob o enfoque espírita, efetivamente, muitas afeições terrenas são condições construídas, geralmente nas preexistências, através dos laços permanentes de afinidades espirituais, que se estabelecem entre seres, que comungam das mesmas inclinações psicológicas, em estado semelhante de evolução intelecto-moral.

Portanto, podemos analisar tema pelo prisma das almas “afins” que reencarnam na mesma família. Sabemos que a reencarnação é um mecanismo extremamente complexo. Suas variáveis vinculam-se ao estágio espiritual de cada reencarnante, considerando-se as obrigações de aprendizagem de todos os espíritos envolvidos para a convivência na Terra. Quando o espírito detém boa estrutura moral pode esquematizar sua reencarnação junto dos seres “afins”, sob a supervisão dos Benfeitores do além.

Na dimensão espiritual, estando libertos das paixões que nos ligaram na Terra, nos atraímos e agrupamos em famílias mais amplas, unidos por sentimentos sinceros, tendo em vista o aperfeiçoamento de todos e alegrando-nos, com as conquistas de cada um dos nossos entes queridos em cada regresso ao além-túmulo, após mais uma vida na Terra, plena de lutas e provações experimentadas e ultrapassadas.

No conjunto das reencarnações, “se uns espíritos encarnam e outros permanecem no além , nem por isso deixam de estar unidos pelo pensamento. Os que se conservam “livres” [no além] velam pelos que se acham em “cativeiro” [no corpo físico]. Os mais adiantados se esforçam por fazer que os retardatários progridam. Após cada existência, todos têm avançado um passo na senda do aperfeiçoamento. ”[1]

É bem verdade que dois Espíritos, que se afeiçoam, naturalmente se procuram um ao outro, nas suas caminhadas. Não ignoramos que entre os seres humanos há ligações afetivas ainda indecifráveis nos seus códigos misteriosos. O espectro do magnetismo é o auxiliar destas ligações, que futuramente compreenderemos melhor. ” [2]

Os personagens mencionados nesta narrativa são incontestavelmente espíritos afins que se juntaram, pelas leis da atração e amam estar juntos. Não obstante, nem todos os espíritos “afins” tenham necessariamente que se ter conhecido numa vida anterior, pois eles se atraem magneticamente por inclinações semelhantes, isso frequentemente acontece.

“A afeição que existe entre pessoas [especialmente]parentes são um índice da simpatia anterior que as aproximou…”[3] Desta forma, se todas as afeições forem purificadas “acima dos laços do sangue, o sagrado instituto da família se perpetuará no Infinito, através dos laços imperecíveis do Espírito. ”[4]

Referências bibliográficas:

[1]        KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. IV, item 18, RJ: Ed. FEB, 1977
[2]        KARDEC, Alan. O Livros dos Espíritos, questão 388, RJ: Ed. FEB, 2002
[3]        KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. IV, item 19, RJ: Ed. FEB, 1977

[4]        XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador, questão 175, RJ: Ed. FEB, 2001

sexta-feira, 10 de março de 2017

ENTREVISTA COM O ESCRITOR ESPÍRITA JORGE HESSEN





Jorge Hessen em visita ao Museu Chico Xavier em Uberaba



O Codificador do Paráclito
Blog   http://pointier.blogspot.com.br/

Jorge Hessen, nascido no Rio de Janeiro a 18/08/1951, aposentado do INMETRO, residente em Brasília desde 1972. Formado em Estudos Sociais com ênfase em Geografia, Bacharel e Licenciado em História pela Universidade de Brasília- Unb.
Membro fundador do Posto de Assistência Espírita (DF), jornalista, historiador e escritor. Autor dos livros “Luz na Mente”, “Praeiro, um Peregrino nas Terras do Pantanal”, “Anuário Histórico Espírita 2002”( coletânea de diversos autores e trabalhos históricos de todo o Brasil, coordenado pelo Centro de Documentação Histórica da União das Sociedades Espíritas de São Paulo – USE ). Autor de 22 (vinte e dois) livros eletrônicos (E Books), todos traduzidos em Madri (espanhol), 2 (dois) traduzidos em Paris (francês) e 1 (um) traduzido para o inglês  (publicados pelo portal Autores Espíritas Clássicos), conforme o link: http://www.autoresespiritasclassicos.com/Apostilas/Artigos%20Espiritas%20-%20Jorge%20Hessen/Artigos%20Espiritas%20-%20Jorge%20Hessen.htm


O Codificador do Paráclito:  Por que se tornou Espírita?

Jorge Hessen: Entrei no orbe espírita estimulado por incontida investigação da Verdade cristã. Como não encontrava respostas noutras doutrinas cristãs busquei o Espiritismo e ele a tudo me respondeu.

O Codificador do Paráclito:  O que lhe mais lhe impressionou na Doutrina Espírita?

Jorge Hessen: Desde a primeira hora, fiquei maravilhado com a cautela, o bom senso, a habilidade de síntese e o acervo cultural de Allan Kardec. Procurei conhecer a biografia do professor Rivail. Percebi que estava diante de um gênio. Seu labor se consubstanciou na Terceira Revelação e obviamente isso foi fundamental para inspirar a minha paixão pelo Espiritismo.

O Codificador do Paráclito:  O que sobressai na mensagem espírita?

Jorge Hessen: O Espiritismo é o Consolador Prometido que desvenda conceitos surpreendentes sobre Deus, o Universo, os homens, a natureza e comunicação dos “mortos” com os “vivos”, a pluralidade dos mundos habitados, a reencarnação e as leis naturais que regem a vida. A Terceira Revelação acena-nos ainda com o soberano apelo para compreendermos e refletir sobre o que somos, de onde viemos, para onde vamos, qual o objetivo da nossa existência e qual a razão da dor e do sofrimento.

O Codificador do Paráclito:  Quais foram os momentos que marcaram sua experiência doutrinária?

Jorge Hessen:  Nesse absorvente rumo muitas vezes esbarro com as lágrimas, reflexas e resultantes da ignorância e truculência do homem hodierno; doutros momentos deparo em mim mesmo o ânimo do regozijo em razão dos grandes exemplos de amor, humildade e abnegação que identificamos  aqui e além no coração do próximo.

O Codificador do Paráclito:    O que é a Terceira Revelação para você?

Jorge Hessen:  É Ciência porque se consubstancia num conjunto reunido de informações concernentes a certas classes de eventos ou fenômenos transcendes avaliados experimentalmente, relacionados e descritos por Kardec e outros pesquisadores de renome, representado principalmente pelas obras básicas. É Filosofia sem tanger necessariamente o contexto filosófico tradicional (materialista), embora de cunho evolucionista e metafísico, pontua a necessidade de o homem ir em busca de seu autoburilamento, estimulando-o à averiguação de respostas às questões magnas da Humanidade: sua natureza, sua origem e destinação, seu papel perante a Vida e o Universo tendo como bandeira o axioma: “nascer, viver, morrer e renascer de novo, progredindo sempre, tal é a lei. ”É, por fim e sobretudo  Religião, porque propõe unir os povos em um ideal de fraternidade, preconizado pelo Evangelho de Jesus, permitido, dessa forma, que o homem se encontre com o próprio Criador, tendo como bandeira o lema:  “fora da caridade não há salvação.”

O Codificador do Paráclito:  O Espiritismo precisa ser atualizado sob o ponto de vista científico? 

Jorge Hessen: Fundamentalmente é importante ressaltarmos que o Espiritismo não tem incondicional necessidade da ciência terrena, pois como nos adverte Emmanuel na primeira questão da obra O Consolador: “Essa necessidade de modo algum pode ser absoluta. O concurso científico é sempre útil, quando oriundo da consciência esclarecida e da sinceridade do coração. Importa considerar, todavia, que a ciência do mundo se não deseja continuar no papel de comparsa da tirania e da destruição, tem absoluta necessidade do Espiritismo, cuja finalidade divina é a iluminação dos sentimentos, na sagrada melhoria das características morais do homem.”  Eis aí o meu pensamento.

O Codificador do Paráclito:  Qual é a sua mensagem àqueles que incorrem ao fanatismo religioso espírita?

Jorge Hessen: O espírita sincero precisa compenetrar-se da oportunidade, no tempo e no ambiente, com relação aos assuntos doutrinários no seu tríplice aspecto, porquanto, qualquer inconsideração nesse particular, pode conduzir a fanatismo abominável, sem nenhum caráter construtivo.
Herculano Pires já advertia sobre o igrejismo que assolava as hostes espíritas. Entendo que a FEB é roustanguista , por impor nos seus Estatutos o Parágrafo único , item III , Art. 1º  que “além das obras básicas a que se refere o inciso I, o estudo e a difusão compreenderão, também, a obra de J.-B. Roustaing e outras subsidiárias e complementares da Doutrina Espírita.” Desta forma,  o louvor das obras de Roustaing na FEB tem pervertido a racionalidade espírita no Brasil. Desconheço espíritas  mais maníacos do que os roustanguistas.
Pelo exposto, entendo que no Brasil seja imprescindível a criação URGENTE de uma Confederação Espírita (longe de Roustaing), a fim de unir concreta e racionalmente os corações dos espíritas em torno do eminente Kardec, considerando sempre o Espiritismo em seu tríplice aspecto. Para esse desígnio compete aos atuais jovens espíritas e as lideranças contemporâneas se movimentarem a fim de concretizarem tal projeto.

O Codificador do Paráclito:  Deveria ser acelerada a propagação do Espiritismo pelo mundo ?,

Jorge Hessen: Não deve ser apressada a expansão e a propaganda espírita. Não há necessidade imediata. A organização do Espiritismo está nas mãos de Jesus, antes de qualquer esforço incerto e volúvel de nossa parte. É imprescindível estudarmos e aplicarmos os ensinamentos do Mestre à luz do Espiritismo, pois nossa tarefa maior deve ser da própria iluminação através de uma fé racional , inabalável e serena. Ademais, devemos oferecer aos serviços da propaganda doutrinária a cota de tempo de que possamos dispor, entre os trabalhos diário do ganha pão e o cumprimento dos deveres familiares. Para Emmanuel,  a execução dessas obrigações é sagrada e urge não cair no declive das situações parasitárias, ou do fanatismo religioso.
No trabalho da propaganda da verdade, Jesus caminha antes de qualquer esforço humano e ninguém deve guardar a pretensão de converter alguém, quando nas tarefas do mundo há sempre oportunidade para o preciso conhecimento de si mesmo.

O Codificador do Paráclito: Suas considerações finais?

Jorge Hessen: Espíritas!  Em favor da unidade entre nós,  repudiemos os conceitos equivocados que nos dividem, a exemplo do misticismo roustanguista febiano   e esquadrinhando em Allan Kardec a segura orientação doutrinária para melhor compreendermos Jesus.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Narrações do Infinito e outras considerações


Por Andreia Azevedo
www.MochileiraDaLeitura.com



A obra Narrações do Infinito (Do original Lúmen) não é de fácil absorção. Também não é para mentes que desacreditam da pluralidade dos mundos habitados e da infinidade de experiências que nós, como espíritos, vivenciamos no Cosmos, mas para simplesmente mentes curiosas. Camille Flammarion1, astrônomo francês e espírita, iluminou o século XIX com inúmeras obras. Fammarion escreveu Narrações do Infinito em meados de 1872. O livro pode ser considerado uma obra mediúnica do ponto de vista que o autor entrevista um espírito, amigo seu, fazendo questionamentos sobre diversas condições sobre vidas em outros planetas; e científica quando notamos informações astronômicas como, por exemplo, o tempo que as informações vinda de outros astros, levam para chegar até nós.
Quando à noite observamos as diversas esferas que pululam a abóboda celeste, na verdade não estamos vendo o momento presente que ela está vivendo, mas seu passado. Isso porque a luz dos objetos estelares demoram meses, anos, séculos, anos-luz para chegar até nós (...) - dependendo do objeto que estiver sendo observado. O livro aborda o tema durante o diálogo entre os dois personagens Lúmen e Quaerens. Vemos também diálogos sobre os tipos de vida que Lúmen pôde observar em outros planetas.

“Se um vulcão, por exemplo, entrasse em erupção em um desses mundos referidos, não o veríamos projetar suas chamas senão 1 segundo e 1/4 depois, se se tratasse da Lua; 42 minutos decorridos, se estivesse em Júpiter; 2 horas mais tarde, se viessem de Urano; 4 horas após, caso proviessem de Netuno. Se nós nos transportássemos para além do sistema planetário, as distâncias seriam incomparavelmente mais vastas e maior a demora na chegada da luz. Assim, o raio luminoso saído da estrela mais próxima da Terra, a Alfa do Centauro, despende mais de 1.400 dias para nos atingir; o que procede de Sírio emprega perto de um decênio para atravessar o abismo que nos separa desse sol.”


A obra é dividida em cinco narrativas: Resurrectio praeteritiRefluum temporis, Homo homunculus, Anteriores vitae e Ingenium audax – Natura audacior.

Alguns dos assuntos abordados nas histórias:
A Alma, A Hora da Morte, A Visão da Alma no Firmamento, O Sistema Solar no Firmamento,  A Terra do Ponto de Vista Celestial, Capella, A Velocidade da Luz, Mundos Vistos à Distância, Lúmen Revela sua Vida, Histórias do Infinito, Uma Jornada em um Raio de Luz, Organismos Humanos Adptados aos Planetas que Vivem , Luz e Espaço, A vida passada, A pluralidade das Vidas , O Desconhecido, Almas e Átomos, Um Mundo em Orion, Estudo do Universo etc

"Camille Flammarion, O Poeta dos Céus. Como o denominava Michelet. "

Flammarion como cientista, e com a mente racional, questiona sempre as informações que recebe no intuito de obter respostas mais acuradas possíveis para sua análise. É fato que nenhuma prova física temos de vida (e de sua forma) fora da Terra, mas num universo com bilhões e bilhões de galáxias contendo bilhões e bilhões de estrelas cada galáxia, sendo que cada estrela pode conter um sistema planetário, fica realmente egocêntrico imaginar um universo com vida somente no planeta Terra. E quando falamos de vida, não estamos falando de vida como nós a conhecemos, mas de qualquer tipo de manifestação de vida inteligente ou não.

“Trappist-1 -   sistema planetário na constelação de aquário”

Um exemplo das inúmeras possibilidades de existir vida são os diversos exoplanetas – planetas que estão fora do nosso sistema solar - que vem sendo descobertos, onde, muitos deles tem potencial para conter vida. Hoje, 22 de Fevereiro de 2017 a NASA nos trouxe uma descoberta pioneira. Mais questões sobre possibilidades da pluralidade dos mundos habitados... Não é de hoje que o homem se questiona sobre o Universo e se estamos ou não sozinhos. A história nos fala de ideias, pensadores, filósofos, cientistas que vislumbraram esmiuçar esses questionamentos trazendo respostas. Precisou passar milênios para aprimorar nossas pesquisas e muitos outros (séculos ou milênios) ainda deverão vir até que possamos ter a tecnologia necessária para dar o primeiro aperto de mão a um Alien. Bem... Espero que o bonzinho... ;-) A NASA revelou hoje o primeiro sistema chamado de TRAPPIST-1, contendo sete planetas orbitando uma única estrela. Três deles estão na zona habitável com chances de conter água líquida. O sistema planetário está relativamente próximo a nós (40 anos-luz) e fica na constelação de Aquário. Todos os sete planetas têm tamanho semelhante ao da Terra, entretanto a estrela que orbitam tem estágio diferente da nossa. Ela é uma anã vermelha.2


Camille Flammarion ao seu telescópio em seu observatório Juvisy - 1880.
Narrações do Infinito nos faz refletir sobre as diversas possibilidades que o universo pode nos presentear. Longe de afirmar a veracidade de todos os relatos de Lúmen referente às vidas e suas formas que ele descreve, lanço a sementinha  da curiosidade para que o leitor mergulhe na obra sem preconceitos e fazendo uso de uma mente crítica e científica, refletindo que se algumas formas de vida e composição biológica for impossível aos seus olhos,  para a vida em si, o impossível é só o início.



Referências -

1. Em uma outra oportunidade falarei de sua vida.

2. NASA. Exoplanets. https://exoplanets.nasa.gov/news/1419/nasa-telescope-reveals-largest-batch-of-earth-size-habitable-zone-planets-around-single-star/ Acessado em 22/Fev/2017



































segunda-feira, 6 de março de 2017

O SONHO DA IMORTALIDADE


Fernando Rosemberg


“Um bilionário russo investe pesado em um projeto quase delirante: descobrir o segredo da imortalidade! O magnata Dmitry Itskov é jovem, tem 36 anos, mas ainda quer viver muito. Na verdade, ele quer viver para sempre. Dmitry criou o projeto iniciativa 2045, cujo objetivo é encontrar a fórmula da imortalidade nos próximos 28 anos. O empresário não revela valores, mas já investiu milhões de dólares na ideia”. (Fantástico - Rede Globo – 05.03.2017)

Como se nota, o sonho do referido empresário, e bilionário russo, é o de: “viver para sempre”! Entretanto, pelo que pudemos apreender, seu sonho é o de “viver para sempre”: na vida biológica e material, estendendo-a, quiçá, para a imortalidade de todos nós.

E, quem sabe, todo o dinheiro empregado para tal empreendimento não venha a provar a ele, seus técnicos, cientistas e demais pessoas envolvidas no projeto, sua total e completa impossibilidade, pois que o Homem, como já provado, abundantemente – e apesar do ceticismo científico moderno -, é Espírito de natureza imortal, e, pois, desnecessário, e, inútil, querer-se a imortalidade do Homem, uma vez que o mesmo já é Imortal por sua natureza mesma que, sendo de essência espiritual, ela é, pois, verdadeiramente: imortal.

Assim, pois, para nós, de conjectura imortalista, e, pois, espiritista e palingenésica, o entendimento da questão é o de que: nada é inútil; e, pois, nosso mais profundo desejo, e esperança, é o de que tais pesquisas levem ao fato de que a Consciência já é Imortal e que a matéria cerebral não pode produzi-la enquanto Unidade Divina, pois que o cérebro, conquanto suas sutilezas, é de substância biológica material, cujas teias intrincadas do pensamento, das ideias, dos valores éticos e morais não podem proceder de tal substância, pois o Cognitivo humano, bem como seus Valores mais preciosos são provenientes do Ser, do Consciente, do referido Espírito palingenésico, e, por tal mesmo: Sobrevivente e Imortal.

De tal modo que, seu equacionamento filosófico, e, por que não, matemático, assim se dá por singela:

EQUAÇÃO ESPIRITUAL HUMANA:

[( Homem ) = ( Espírito + BioMatéria )]

E, pois, com alguns procedimentos bem conhecidos de todos nós, temos, pela transposição e troca de sinais em seus termos:

[( Homem – BioMatéria ) = ( Espírito )]

Ou seja: o Homem desprovido da Matéria Biológica, ele é, nada mais, nada menos, que Espírito:

[( Espírito ) = ( Espírito )]

Mas como o fenômeno humano é palingenésico, óbvio que tal formulação é um tanto mais extensa, tanto do lado esquerdo, com as múltiplas existências corporais já vividas, como do lado direito, com as múltiplas existências do nosso futuro, e teríamos o que se pode denominar:

EQUAÇÃO TRANSCENDENTAL HUMANA

[ ... (H=E+Bm) (d) (E=E) (r) (H=E+Bm) ... (EP=EP) ]

Que explicamos:

-Os três pontinhos (...) iniciais indicam que nós, os Homens, ou, Espíritos reencarnados, procedemos de múltiplas existências corporais pretéritas;

-E, logo a seguir temos: (H=E+Bm), ou seja, a Equação Espiritual Humana explicitando, em seu resumo: nós mesmos, outra vez, nas atuais condições humanas;

-A seguir temos a explicitação (d) indicando nossa condição de desencarnados, ou seja, o que logo a seguir indica: (E=E), agora como Espírito livre nos espaços espirituais;

-E, no próximo passo temos a sigla (r), ou seja, de nossa volta à matéria pela reencarnação, que, a seguir, indica justamente tal condição: (H=E+Bm);

-E, tais pontinhos a seguir indicam as muitas vidas por vir até nossa condição última, ou seja, de (EP), que explicita um Espírito Puro (EP), isto é: livre das paixões humanas, de seus defeitos, suas gangas materiais.

Assim, pois, para nós, contemplados pela Terceira Revelação da Lei de Deus, Tudo é bem mais lógico e razoável em um paradoxo que envolve: simplicidade e complexidade, sentenciando:

“Somos Espíritos imortais nos libertando, vias palingenésicas, de nossas impurezas e imperfeições, sendo a matéria biológica não mais que um meio para chegar-se a um fim, quando nos tornaremos: Espíritos Puros e Conscientes”.

Um grande abraço a todos:

Fernando Rosemberg Patrocinio
E.mail: f.rosemberg.p@gmail.com

quarta-feira, 1 de março de 2017

O “amor a si” , o “auto perdão” e o “próximo” como alvo (Jorge Hessen)






Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com 

Estabeleceu Jesus a síntese da Lei: “amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a vós mesmos”. [1] O resumo da Norma indicada pelo Mestre é das mais admiráveis terapias pessoais. Somos todos importantes. Somos criaturas únicas no Universo que buscamos a felicidade através do aprendizado do amar a nós mesmos, ao próximo e a Deus.

Contudo, de que forma amar a nós mesmos? Naturalmente a proposta de Jesus é um imperativo que não deve ser confundido com o egoísmo ou o egocentrismo. Quando escolhemos aprender, para o aprimoramento intelectual, estamos nos auto amando. Quando compreendemos as nossas imperfeições temporárias, nos esforçando para corrigir os erros, estamos amando a nós mesmos. “O auto amor proporciona uma visão mais clara de quem se é, do que se deseja e do que não se deseja para si”. [2]

Quando escolhemos perdoar e extinguir o peso de uma mágoa, estamos amando a nós mesmos. O asseio mental e a estabilização emocional têm procedências brilhantes naquele que consegue praticar e receber o perdão. Todos somos convocados a praticar o perdão no ambiente doméstico, profissional, religioso; enfim na convivência social.

Afinal de contas, perdoar significa absolver, indultar, desculpar, anistiar. O prefixo “per” quer dizer “total” e “doar” significa dar inteiramente, ou seja, um empenho de autodoação plena. Portanto, perdoar-nos resulta no pleno amor a nós mesmos.

Para nos libertarmos, tanto da culpa quanto da desculpa, necessitamos cultivar o auto amor, a autoconsciência, o arrependimento e o aprendizado para as reparações imprescindíveis. É verdade! O auto perdão não é uma simples revogação da consciência de culpa, mas um procedimento de auto-exame consciencioso de nós mesmos, o que requer arrependimento e reparação.

Somente cultivando o auto amor é que crescemos espiritualmente. Por isso não podemos ficar sob o guante do ingênuo pesar. Quem ama a si mesmo (como recomendou Jesus) preenche a vida de alegria e paz. Todavia, uma das causas de auto-agressão vem da procura frenética de perfeição irrestrita, como se todos devêssemos ser deuses ou deusas de um momento para o outro.

Quando esperamos perfeição em tudo e confrontamos o lado "primário" de nossa natureza humana, nos sentiremos fatalmente diminuídos e envolvidos por uma aura de fracasso. A baixa autoestima nasce quando não nos aceitamos como somos. Somente a auto aceitação nos leva a sentir plena segurança ante os fatos e ocorrências do cotidiano.

Nossas reações perante a vida não acontecem em função tão somente dos episódios exteriores, mas sobretudo de como percebemos e julgamos interiormente esses mesmos acontecimentos. A forma de refletirmos e nos comportarmos em face das nossas reações perante os outros, avaliando-os como bons ou maus, é talhada por um mecanismo de autocensura que se encontra alojado em nossos níveis de consciência mais profundos. Este juiz íntimo foi cultivado sobre bases de valores e de princípios que empilhamos através dos tempos recuados sob reencarnações inumeráveis.

Todos nos equivocamos tendo o dever de perdoar-nos, porém não permaneçamos no erro. É imprescindível, buscarmos não reincidir no mesmo endividamento moral, libertando-nos das algemas constringentes do remorso, até mesmo porque “o remorso é um lampejo de Deus sobre o complexo de culpa que se expressa por enfermidade da consciência”.[3] Podemos experimentar culpa e condenação, perdão e liberdade, de acordo com os nossos valores, crenças, princípios e normas vigentes. Apreendemos assim que para alcançar o auto perdão é imperioso que reexaminemos nossas convicções profundas sobre a natureza do nosso próprio EU.

Todos cometemos desacertos de maior ou menor agravamento, alguns dos quais, como vimos, são arquivados nos porões do inconsciente. Cedo ou tarde ressurgem devastadores, causando mal-estar, ansiedade, insatisfação pessoal, em caminho de transtorno de conduta.

A terapia moral pelo auto perdão impõe-se como indispensável para a recuperação do equilíbrio emocional e o respeito por nós mesmos. Seja qual for a gravidade do ato infeliz, é possível repará-lo quando se está disposto a fazê-lo, recobrando o otimismo, a alegria de viver, amando a Deus e ao próximo, perdoando-nos e amando-nos verdadeiramente.

Referências bibliográficas:

[1] Mt. 22:34

[2] FRANCO, Divaldo Pereira. Amor, imbatível amor, ditado pelo espírito de Joanna de Ângelis, Bahia: ed. Leal, 2005, cap. 13

[3] XAVIER, Francisco Cândido. Pronto Socorro, ditado pelo espirito Emmanuel SP: Ed CEU 1980