segunda-feira, 17 de julho de 2017

Intersexualidade, o ser humano não se reduz à morfologia de “macho” ou “fêmea” (Jorge Hessen)


Jorge Hessen

Em 2012, Zainab, uma parteira queniana, fez o parto de uma criança intersexual (que possui órgãos genitais masculinos e femininos). Quando a mãe viu que o sexo do bebê não estava definido, ficou surpresa. O marido pediu para que Zanaide matasse o bebê, mas Zanaide pegou a criança para si e cuidou dela, embora sob riscos, pois na comunidade em que reside, assim como em outras no Quênia, um bebê intersexual é visto como mau presságio, que traz maldição para a família e até para os vizinhos. [1]

A Intersexualidade em seres humanos é alguma alteração de caracteres sexuais, incluindo cromossomos, gônadas e/ou órgãos genitais que dificultam a identificação de um indivíduo como inteiramente feminino ou masculino. Essa variação pode envolver ambiguidade genital, combinações de fatores genéticos e aparência e variações cromossômicas sexuais diferentes de XX para mulher e XY para homem. Pode incluir outras características de dimorfismo sexual, como aspecto da face, voz, membros, pelos e formato de partes do corpo. [2]

Georgina Adhiambo, diretora-executiva da ONG Voices of Women, que trabalha para reduzir o estigma contra pessoas intersexuais no Quênia, disse que o assunto ainda é um tabu. Atualmente as opções de tratamento dos intersexuais variam muito. Alguns pacientes não precisam de cuidados, enquanto outros podem precisar de remédios ou terapia hormonal. Há ainda aqueles que precisam de cirurgia – opção que costuma ser protelada até a puberdade, para que a própria criança possa escolher seu sexo.

A palavra intersexual é preferível ao termo hermafrodita, já bastante estigmatizado, precisamente porque hermafrodita se referia apenas à questão dos genitais visíveis. Alguns intersexuais podem ser considerados como transgêneros. Porém, tanto a intersexualidade quanto a transexualidade são temas polêmicos, e menos discutidos do que deveriam. Talvez por isso não se compreenda exatamente do que se trata, e essa condição seja motivo de tantos casos de preconceito.

Ademais, sobre o tema, uma pessoa pode ser cisgênero ou transgênero. O cisgênero se identifica com o gênero correspondente ao sexo biológico, ou seja, se possui órgão sexual feminino é uma menina, se possui órgão sexual masculino é um menino. É o que todo mundo considera regra. Já o transgênero é a pessoa que contesta essa regra, que não tem seu gênero definido pelo sexo biológico. Muitas vezes o transexual se identifica com o gênero oposto ao sexo com que nasceu. Podemos dizer que o transexual é transgênero, mas nem todo transgênero é transexual.

Um estudo realizado pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos, publicado pela revista Psychological Science, concluiu que as crianças transgênero começam a reivindicar um gênero diferente, ao mesmo tempo que as crianças cisgênero se identificam com o gênero correspondente ao sexo biológico, por volta dos 2 anos. É como se a criança olhasse no espelho e não se reconhecesse. É uma expectativa constante de que ela vá acordar no corpo certo.

Independentemente das demarcações e definições controversas, a sociedade dará sinais de avanço quando compreender a neutralidade de gênero, e que o ser humano não se reduz à morfologia de “macho” ou “fêmea”.

Ainda sobre a “transexualidade”, por exemplo, Emmanuel adverte que “encontramo-nos diante de um fenômeno perfeitamente compreensível à luz da reencarnação. Inobstante as características morfológicas, o Espírito reencarnado, em trânsito no corpo físico, é essencialmente superior ao simples gênero masculino ou feminino.” [3]

O mentor de Chico Xavier ainda acrescenta que “aprenderemos, gradualmente, a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos, para se erguerem como agentes mais elevados de definição da dignidade humana, de vez que a individualidade em si exalta a vida comunitária pelo próprio comportamento na sustentação do bem de todos ou a deprime pelo mal que causa com a parte que assume no jogo da delinquência.” [4]

Além disso, aprendemos com o autor de “Há dois mil anos”, “que é urgente amparo educativo adequado [aos sexuais e morfologicamente diferentes], tanto quanto se administra instrução à maioria heterossexual”. [5] E para que isso se verifique em linhas de justiça e compreensão, caminha o mundo de hoje para mais alto entendimento dos problemas do amor e do sexo, porquanto, à frente da vida eterna “os erros e acertos dos irmãos de qualquer procedência, nos domínios do sexo e do amor, são analisados pelo mesmo elevado gabarito de Justiça e Misericórdia. Isso porque todos os assuntos nessa área da evolução e da vida se especificam na intimidade da consciência de cada um.” [6]

Referências bibliográficas:

[1]Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/internacional-39852313 , acessado em 14/07/2017
[2]Money, John; Ehrhardt, Anke A. (1972). Man & Woman Boy & Girl. Differentiation and dimorphism of gender identity from conception to maturity. USA: The Johns Hopkins University Press. ISBN 0-8018-1405-7.
[3]XAVIER, Francisco Cândido. Vida e Sexo, RJ: Ed. FEB, 1977
[4]idem
[5]idem

[6]idem

terça-feira, 11 de julho de 2017

O Espírita no velório, cerimônia do “até já”,“até logo”, “nos veremos em breve” (Jorge Hessen)


Jorge Hessen

Certa vez, um confrade segredou-me que não permitirá velórios no sepultamento de seus familiares mais próximos, porque é totalmente contra tal tradição mortuária. Não vê lógica doutrinária nesse tipo de cerimonial. Crê que após constatada a desencarnação, em no máximo algumas poucas horas, deveriam ser feitos os preparativos para o sepultamento, sem rituais religiosos.

Busquei esclarecê-lo de que velório ou “velação” não é necessariamente um ritual religioso”, portanto não está associado a religiões, até porque seu início dá-se quando a pessoa está doente e precisa de ser velada, cuidada, vigiada. Pois é! A origem da palavra velar que dá origem a velório vem do latim "vigilare", que dá significado de vigilância. E mais: o termo velar não se refere às "velas", flores, missas, cultos, mas (repito) ao verbo "velar" (de cuidar, zelar).

O dicionarista define o verbo velar como "ficar acordado ao lado de (alguém)", "ficar acordado durante (um tempo)" e ainda "manter-se de guarda, vigia" dentre outras definições. O termo tem uma conotação exata se de fato as pessoas que vão "velar" o falecido, realmente o fazem com atitude de zelo, vigília, respeito e de despedida do corpo que serviu ao espírito durante a experiência que se encerra.

É evidente que velar o defunto é atitude respeitável. No velório devemos orar respeitosamente ao amigo que se despoja do corpo físico, dirigindo-lhe por exemplo (como sugestão) a prece indicada por Allan Kardec contida no cap. XXVIII, item 59 do Evangelho Segundo o Espiritismo, intitulado “Pelos recém-falecidos”. [1] Protocolarmente ou não, no velório nos solidarizamos com os parentes e amigos do “morto”, auxiliando no que for preciso, seja ofertando um abraço fraterno ou apenas a presença serena, numa empatia repleta de misericórdia, na base da paciência e do estímulo, da consolação e do amor, como nos instrui Emmanuel. [2]

Em contrapartida, em muitos casos essa celebração se desviou, e muito, do sentido ético, pois acima das emoções justificáveis por parte dos parentes e amigos, ostenta-se um funeral por despesas excessivas com coroas de flores, santinhos, escapulários, velas que podem ser usados em doações a instituições assistenciais, conforme instrui André Luiz. Ouçamo-lo: Os espíritas devem dispensar, nos funerais, as honrarias materiais exageradas e as encenações, pois considerando que "nem todo Espírito se desliga prontamente do corpo", importa, porém, que lhe enviemos cargas mentais favoráveis de bênçãos e de paz, através da oração sincera, principalmente nos últimos momentos que antecedem ao enterramento ou à cremação. Oferenda de coroas e flores deve transformar-se "em donativos às instituições assistenciais, sem espírito sectário". [3]

Social, moral e espiritualmente, quando comparecemos a um velório exercemos abençoado dever de solidariedade, proporcionando consolação à família. Infelizmente, tendemos a fazê-lo por desencargo de consciência formal, com a presença física, ignorando o decoro espiritual, a exprimir-se no respeito pelo recinto e no esforço de auxiliar o desencarnado com pensamentos elevados.

Ora, o desencarnado precisa de vibrações de harmonia, que só se formam através da prece sincera e de ondas mentais positivas. Em o livro Conduta Espírita, o Espírito André Luiz mais uma vez adverte-nos para "procedermos corretamente nos velórios, calando anedotário e galhofa em torno da pessoa desencarnada, tanto quanto cochichos impróprios ao pé do corpo inerte. O recém-desencarnado pede, sem palavras, a caridade da prece ou do silêncio que o ajudem a refazer-se. “É importante expulsar de nós quaisquer conversações ociosas, tratos comerciais ou comentários impróprios nos enterros a que comparecermos". Até porque a "solenidade mortuária é ato de respeito e dignidade humana". [4]

Deploravelmente, poucos se dão ao cuidado de conversar baixinho, principalmente no momento da remoção do cadáver do recinto para a “catacumba”, quando se amontoam maior número de pessoas. Temos motivos de sobra para a moderação, cultivemos o silêncio, conversando, se necessário, em voz baixa, de forma edificante.

Podemos fazer referências ao finado com discrição, evitando pressioná-lo com lembranças e emoções passíveis de perturbá-lo, principalmente se forem trágicas as circunstâncias do seu falecimento. Oremos em seu benefício, porque “morre-se” como “se vive”. Se não conseguirmos manter semelhante comportamento, melhor será que nem compareçamos ou nos retiremos do ambiente, evitando alargar o estrepitoso coro de vozes e vibrações desrespeitosas que afligem o recém-desencarnado, até porque o “morrer” nem sempre é o “desencarnar”.

Referências bibliográficas:

[1]     Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XXVIII, item 59, RJ: Ed. FEB, 1939
[2]     Xavier, Francisco Cândido. Servidores no Além, SP: Editora – IDE, 1989
[3]     Vieira, Waldo. Conduta Espírita, RJ: Ed FEB, 1999
[4]     Idem

sábado, 8 de julho de 2017

O Espiritismo necessita retornar às suas origens primordiais (Jorge Hessen)

Allan Kardec
Jorge Hessen

Após a desencarnação de Allan Kardec o Movimento Espírita francês e mundial sucumbiu, devido à imaturidade doutrinária de Pierre G. Leymarie. A ele foi incumbido a administração do espólio da família de Kardec e teve a obrigação de sustentar a propagação do Espiritismo, mas ao invés disso mistificou a propaganda doutrinária, e para descrédito do Espiritismo teve que amargar uma cadeira por comprovadas fraudes veiculadas na Revista Espirita. Leymarie era um apaixonado praticante da Teosofia de Blavatsky e defendia as ridículas obras de J.B. Roustaing e para variar era deslumbrado pela maçonaria, ora, com tal “curriculum vitae”, as suas atuações suscitaram o desfalecimento do Movimento Espírita mundial. 

Cinco décadas após a desencarnação de Kardec, nos primórdios do século XX, houve um surto de renascimento do Movimento Espírita francês e mundial até os meados da década de 1920, graças às lideranças de Leon Denis, Gabriel Delanne, Gustave Geley e Camille Flammarion, desaparecendo, porém, rapidamente, quando esses quatro baluartes desencarnam. Logo após, durante a Segunda Guerra Mundial, ocorreu desmontagem e quase o total aniquilamento do Movimento Espírita nas plagas de Kardec. Sobre esse cenário, André Luiz indagou ao Espírito Gabriel Delanne: “qual a opinião acerca do Espiritismo, na França?”. Delanne respondeu: “Não nos é lícito dizer haja alcançado o nível ideal (...) mas, complementando que legiões de companheiros da obra de Allan Kardec reencarnaram, não só na França, porém igualmente em outros países, notadamente no Brasil, para a sustentação do edifício kardequiano”.[1]

Sobre o translado do “Espiritismo” para o Brasil, estamos convencidos de que a transposição da respetiva “direção” do Movimento Espírita mundial, da França para o Brasil, sobreveio após a desencarnação dos quatros baluartes supramencionados, no período entre o final da década de 1920 e o início da década de 1930, aliás, coincidindo com o início da missão mediúnica de Francisco Cândido Xavier. Antes desse período, o Espiritismo que era praticado no Brasil seguia o modelito Laymareano , portanto, obrigatoriamente inspirado pela teosofia e pelo roustanguismo, introduzido e apoiado por Luiz Olímpio Teles de Menezes, em seguida liderado pela entidade (edificada a partir do Grupo “Confúcio”) que decidiu autoproclamar-se “mãe” das instituições espíritas do Brasil. 

Retornemos à França. O Movimento Espírita francês voltou a se recuperar com certa debilidade por volta dos anos de 1950 e 1960 em razão do regresso ao país de alguns espíritas que residiam no Norte da África (Argélia, Marrocos) e começaram a retornar para a terra de Kardec, arriscando remontar o Movimento Espírita. Nesse sentido, sob a batuta de Roger Perez houve uma breve “oxigenação” do Movimento Espírita francês, porém, a bem da verdade, nunca se recuperou, pelo menos em Paris. 

Hoje há diferentes núcleos espíritas no interior da França, mas sem as características daquelas propostas por Allan Kardec. Sobre isso, recebi de notícias de Charles Kempf, um líder espírita francês, residindo na França e participando do Movimento Francês desde os anos 1990, afiançando-me que as dificuldades continuam as mesmas até hoje, por causa do personalismo exagerado de alguns dirigentes, e desinteresse pessoal na atuação no movimento. Tudo isso por falta de estudo das obras básicas da codificação.

Do exposto, pois, indagamos: quais os desafios para o progresso do Espiritismo? Segundo Gabriel Delanne (Espírito) a divulgação e o progresso do Espiritismo na Terra terão de efetuar-se de pessoa a pessoa, de consciência a consciência. A verdade a ninguém atinge através da coação. A verdade para a alma é semelhante à alfabetização para o cérebro. Um sábio por mais sábio não consegue aprender a ler por nós. Talvez esse “progresso” do processo de propaganda espírita seja moroso demais para a Humanidade, mas, ainda segundo Delanne (Espírito), uma obra-prima de arte exige, por vezes, existências e existências para o artista que persegue a condição do gênio. Como acreditar que o esclarecimento ou o aprimoramento do espírito imortal se faça tão-só por afirmações labiais de alguns dias? [2]

César Perri, ex-presidente da FEB, no Brasil, lembra-nos que muitos espíritas e diversos dirigentes jamais leram obras psicográficas de Chico Xavier (não consultam as fontes primárias – os livros), pois estão presos anos seguidos à estudo de “apostilas”. A liderança “oficial” do movimento espírita brasileiro não acompanha a expansão da base, ou seja, dos centros espíritas. Há muito a ser realizado para a compreensão da união entre os espíritas – como laço moral, solidário e espiritual. O respeito à diversidade das situações e condições dos centros espíritas, e o conhecimento dessas realidades para o melhor atendimento e apoio às reais demandas das diversificadas instituições. O trabalho de união deve ser constantemente adequado às bases do movimento, ou seja-os centros espíritas. [3]

Em suma, cremos que o progresso da Doutrina dos Espíritos não advirá por meio de lideranças federativas, com insuficientes lastros morais, hierarquizadas, emblemáticas e mercantilistas. Aliás, para quem conhece as opiniões de Leopoldo Cirne , após sua saída voluntária da FEB, identificará muitos pontos convergentes que esteamos cá no artigo.

Nossa proposta, e eis aí o grande desafio, será a propagação do Espiritismo no interior do centro espírita através do intercâmbio fraterno do “boca a boca”, “pessoa a pessoa”, “consciência a consciência”, “ombro a ombro”, sem total necessidade das algemas burocráticas impostas pelas “autoridades” e lideranças federativas “oficiais” , quase sempre sem os lastros de amor e humildade. Lideranças “oficiais” que nada mais fazem do que digladiarem entre si na busca de poderes, de mandos , desmandos e apropriação indébita da coordenadoria do Movimento doutrinário, que deve ser livre, categoricamente distante dos ranços ultramontanistas da pretensa “casa mãe” dos espíritas.

Inspirado em Herculano Pires reafirmamos que o Espiritismo no Brasil não terá salvação se permanecer sob o tacão das diretrizes oriundas do sofisticado colégio cardinalício (CFN) e das hierarquias impostas pelos ditos órgãos oficiais. Razão pelo qual o Espiritismo necessita retornar às suas origens primordiais (pré-desencarnação de Kardec) que é a SIMPLICIDADE! Ou seja: sem absoluta necessidade de concessionárias “oficiais”[4].

Referências bibliográficas:

[1]XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA Waldo. Entre irmãos de outras terras, Entrevista realizada pelo espírito de André Luiz com o espírito de Gabriel Delanne, RJ: Ed. FEB, 1970
[2] idem

[4] que não tem nada a ver com a presumida Comissão Organizadora do Espiritismo, segundo Allan Kardec.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

O Centro espírita simples é e sempre será o baluarte da Terceira Revelação (Jorge Hessen)




Jorge Hessen

O Espiritismo sonhado por Kardec era o mesmo Espiritismo que Chico Xavier exemplificou por mais de setenta anos, ou seja, o Espiritismo do Centro Espírita modesto; da visita e socorro aos desprovidos de bens, da distribuição da roupa, do pão, da “sopa fraterna”, da água fluidificada, do Evangelho no Lar. O grande desafio da Terceira Revelação deve ser o crescimento, sem perder a simplicidade que a caracteriza como revelação..

Reafirmamos sempre que o movimento Espírita institucionalizado e “oficial” se estrutura sob direção hierarquizado, elitista, mercantilista e vocação vaticanista de infalibilidade. O que os Espíritas precisam é observar, com mais critério, os fundamentos doutrinários que nos impele à íntima reforma moral. Nessa tarefa, individual, intransferível e impostergável, está a nossa melhor e obrigatória colaboração para com o avanço moral do Planeta em que vivemos, pois, moralizando-se cada unidade, moraliza-se o conjunto.

Um grande exemplo de espírita que viveu longe do chamado Espiritismo “oficial” e anti-burocrático foi Chico Xavier. Que dizia sempre sobre a necessidade da preservação do Espiritismo tal qual nos entregaram os Mensageiros do amor, bebendo-lhe a água pura, sem macular-lhe a cristalina fonte. A maior frustração de Paulo de Tarso se deu exatamente no Aerópago de Atenas, quando os sabichões de então o dispensaram, alegando que haveriam de ouvi-lo em outra oportunidade.

O filho de Pedro Leopoldo lembrava que o Espiritismo desejável é aquele das origens, o que nos faz lembrar Jesus, ou seja, o Espiritismo Consolador prometido, o Espiritismo em sua feição pura e simples, o Espiritismo do espírita pobre, desempregado, que hoje não pode pagar taxas e ingressar nos pomposos eventos. O Espiritismo desejável é aquele dos velhos, das crianças, da natureza, do “céu aberto” ou debaixo das árvores. Por que não?

Chico Xavier, em 1977, advertiu: “É preciso fugir da tendência à ‘elitização’ no seio do movimento espírita (…) o Espiritismo veio para o povo. É indispensável que o estudemos junto com as massas mais humildes, social e intelectualmente falando, e deles nos aproximarmos (…). Se não nos precavermos, daqui a pouco estaremos em nossas Casas Espíritas, apenas, falando e explicando o Evangelho de Cristo às pessoas laureadas por títulos acadêmicos ou intelectuais (…).” [1]

Elogiemos os congressos, simpósios, seminários, encontros importantes para a divulgação e à troca de experiências doutrinárias, mas não podemos esquecer que a Doutrina Espírita não se tranca nos salões luxuosos, não se enclausura nos anfiteatros acadêmicos e nem se escraviza à liderança “oficial”. À semelhança do Cristianismo dos tempos apostólicos, o Espiritismo é dos Centros Espíritas simples, muitos deles localizados nas periferias das grandes cidades, nos morros, nas favelas, nos subúrbios.

Graças a Deus!, há muitos Centros Espíritas bem dirigidos em vários municípios do País. Graças a esses Espíritas e médiuns humildes, o Espiritismo haverá de se manter simples e coerente, no Brasil e quiçá no Mundo, conforme os Benfeitores do Senhor o entregaram a Allan Kardec.

A liderança “oficial” do movimento espírita brasileiro não acompanha a expansão da base, ou seja, dos centros espíritas (não estou fazendo referências aos centrões espíritas luxuosos). Há muito a ser realizado para a compreensão da união entre os espíritas – como laço moral, solidário e espiritual. O respeito à diversidade das situações e condições dos centros espíritas, e o conhecimento dessas realidades para o melhor atendimento e apoio às reais demandas das diversificadas instituições. O trabalho de união deve ser constantemente adequado às bases do movimento, ou seja-os legítimos centros espíritas.

Em suma, reafirmamos que o progresso da Doutrina dos Espíritos não advirá por meio de lideranças hierarquizadas, místicas e mercantilistas à semelhança dos vendilhões do templo. O grande desafio será difundir o Espiritismo gradualmente através do intercâmbio fraterno do “boca a boca”, “pessoa a pessoa”, “consciência a consciência”, “ombro a ombro”, sem absoluta necessidade das algemas burocráticas de instituições e lideranças “oficiais” que se apropriaram do Movimento doutrinário com precários lastros de amor, desprendimento e humildade.
Pensemos nisso!

Referência:

[1] Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, e publicada no Livro intitulado Encontro no Tempo, org. Hércio M.C. Arantes, Editora IDE/SP/1979

quarta-feira, 28 de junho de 2017

O orador espírita deve rejeitar plágios e ribaltas circenses (Jorge Hessen)


Jorge Hessen

Acessando diversos vídeos do You Tube somos convidados a reconhecer que há no Brasil, de maneira especial, em Brasília, alguns palestrantes que plagiam os gestos, a dicção (entonação) verbal e trechos de palestras produzidas pelo Divaldo Franco. Há, (pasmem!) os que não se refreiam na incontida autopromoção e montam (nos salões de palestras) uma superprodução de filmagens, visando posteriormente comercializarem os Dvd’s da “monumental” palestra gravada e logicamente espalharem (ao vivo) pela Internet seus discursos “prestigiosos”.

É evidente que tais confrades não têm o menor senso de ridículo ao apoderarem-se da identidade alheia, sem o menor constrangimento, Ao imitarem Divaldo, esquecem-se de que tal atitude não passa de uma comédia. Sabemos daqueles que permanecem “horas a fio” em frente ao espelho para treinarem os gestos ou entoação de voz do imitado, que invariavelmente é sempre Divaldo Franco.

Como se não bastasse, oferecem-se (mendigam fazer palestras) em todas casas espíritas do Brasil (afinal são notáveis na oratória). Para isso, entram em contato de forma insistente com os escaladores e oferecem, "gentilmente", o seu “famoso” nome para serem designados, a fim de palestrar no Centro Espírita.

Confeccionam cartazes coloridos e divulgam nas redes sociais e em tudo que é canto da Internet, afinal sua palestra é evento especial (ainda que seja uma data de palestras rotineiras do centro).

A esses irmãos “oradores”, candidatos ao estrelismo no movimento espírita, relembramos que cabe-nos a tarefa de construirmos um discurso próprio e original do Espiritismo. Imitar é horroroso, pois a imitação não consegue reproduzir o verdadeiro conteúdo. Pode-se, até mesmo, imitar o estilo divaldista, mas nunca recriar a profundidade ou a beleza que caracterizam as produções do Divaldo que reaparecem de forma, perfeitamente, reconhecíveis através da legítima oratória.

Recomendamos usarem a linguagem simples e de bom gosto, lembrando que estamos na tribuna  a serviço do Cristo para explicar e fazer o público entender a mensagem do Espiritismo, não para autopromoção e exaltação da vaidade. Pois quando alguém se propõe a ouvir um orador Espírita, o faz no pressuposto de que ele sabe o que está falando e lhe oferece, silenciosamente, um voto de credibilidade, capaz de mudar, metodicamente, ideias ou conceitos errôneos que nele estavam arraigados, podendo transformar, até mesmo, toda uma vida!

Jamais julgar-se imprescindível ou privilegiado, criando exigências ou solicitando considerações especiais. Há aqueles palestrantes que abusam da insensatez ao narrarem casos chistosos para fazer público rir durante boa parte da palestra. Usam a tribuna como se fosse um palco de teatro para humoristas. Ora, se o palestrante tem o dom da hilaridade, sem desdouro, que frequente o teatro e exerça a profissão de ator. É muito mais honesto.

Tais oradores, via de regra, além de plagiarem, são artificiais; não mantêm ordenamento do raciocínio, com começo meio e fim do tema proposto; desconsideram as características da plateia e falam como se todos os ouvintes fossem iguais; apresentam pouco conteúdo e despreparo intelectual; fazem, não raramente,  defesas de ideias que vão "de encontro" ao interesse do ouvinte. Recordemos que  por mais modesto e simples que seja o orador, em sendo ele mesmo, terá êxito. Se imitar o Divaldo, por melhor que seja a imitação, não terá credibilidade e vira circo.

Em suma, os oradores precisamos palestrar com simplicidade, impedir os próprios arroubos lúdicos, fugir do azedume, controlar a inquietação, posto que a palavra revela o nosso bom senso ou a insensatez. Devemos, portanto, silenciar qualquer finalidade de evidência, calando ostentações de conhecimentos. Todos os oradores somos responsáveis pelas imagens que sugerimos nas mentes dos ouvintes.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Tatuagens estigmatizam a alma? (Jorge Hessen)


Jorge Hessen

Uma leitora narrou-me o seguinte: “meu noivo tem tatuados desenhos exóticos, como a “caveira”, “Capitão Gancho”, “morte”, “deuses da mitologia nórdica” e “símbolos de bandas Death Metal”. Sei que tais emblemas o representam, pois que ele venera essas coisas. Acho de mau gosto, estranhos e um tanto "patológicos". Entretanto é a opção dele. A escolha dele só a ele diz respeito”. Você concorda comigo?
Explicamos para a nossa leitora que ante as regras morais do Espiritismo não há dispositivos para “danações infernais”. Certamente, pela tatuagem a pessoa pode estar pronunciando algo de si mesma. Todavia e apesar disso, paradoxalmente, não cremos que as tatuagens retratem totalmente a índole e o caráter de alguém. Nada obstante conhecermos alguns modelos de tatuagens, com pretextos assombrosos que podem ser classificados (sem excomunhões) como censuráveis e inadequados para o cristão.
Ainda sobre o tema, outra leitora nos indagou: “a tatuagem é uma forma de arte no corpo? Se é uma arte deverá ser condenada? Tenho uma tatuagem no braço de uma linda borboleta. Ela me representa inteiramente. A borboleta é considerada o símbolo da transformação, da felicidade, da beleza, da inconstância, da efemeridade da natureza e da renovação. Não posso crer que algo tão expressivo para mim possa ser pernicioso na minha vida no além-túmulo. O que você acha?
Explicamos que não identificamos argumentos de caráter rigorosamente útil o uso de quaisquer tatuagens, especialmente se a lesão imposta ao próprio corpo for por idolatria, vaidade e egocentrismo. Contudo, o uso de tatuagens não abafa as qualidades morais. Até porque ninguém pode penetrar na intimidade da consciência de alguém e saber o que aí ocorre.
Outro leitor escreveu: “meu corpo físico já é uma arte, em face disso não ousaria manchar-lhe! E vou mais adiante, quem teria audácia de rabiscar sobre as telas originais de um Vincent  van Gogh, de Michelangelo, de Leonardo da Vinci ou de Pablo Picasso? Ora, a minha irmão me contradiz, argumentando que  se o corpo é um templo, porque não decorar as paredes? Cada caso é um caso, e não se pode dizer que uma tatuagem é um rabisco em uma obra de arte. O corpo é uma obra de arte dada a nós como presente, sim, e não é uma tatuagem que irá tirar esse aspecto de obra de arte”. Me elucide aí, Jorge Hessen.
Aqui especificamente redargui que pelos ditames do livre arbítrio cada um responderá por si. Porém, lembremos que mesmo com toda tecnologia atual, uma tatuagem não é espontaneamente removível. Não há como desconhecermos que o corpo é o templo do Espírito e não nos pertence, portanto, é importante preservá-lo contra ofensivas que possam truncar a sua composição natural.
É difícil sabermos se haverá ou não mutilação perispiritual por causa das tatuagens. Embora saibamos que o perispírito seja lesado pelas anomalias de caráter, desequilíbrios emocionais, vícios físicos e mentais, rancores, pessimismos, ambição, vaidade desmesurada, luxúria, nem  todos os tatuados se enquadram nesses desvios morais.
É verdade! Golpeia-se o perispírito todas as vezes que se prejudica o semelhante através da maledicência, da agressividade, da aventura extraconjugal, da violência de todos os níveis, da deslealdade. Deste modo,  analisando por esse ângulo, as tatuagens afetam nada ou quase nada o perispírito.
As tatuagens que alguns indivíduos elaboram como forma de demonstrar carinho a exemplo de alguém que grava o nome do pai ou da mãe no corpo de modo discreto não trariam, acreditamos, os mesmos efeitos que ocorreriam com aqueles que se tatuam de modo resoluto, movimentados por anseios mais abrutalhados.
André Luiz registra que “os desencarnados podem, sob o ponto de vista fluídico, moldar mentalmente e de maneira automática, no mundo dos Espíritos, roupas e objetos de uso e gosto pessoal”. (1) Como se observa, é possível, embora deploremos, que um ser no além-túmulo permaneça condicionado aos vícios, modismos e tantas outras coisas inúteis da sociedade terrena.
Perante essas questões propostas, evocamos a lógica espírita que nos convida ao autoconhecimento, ao estágio do auto aprimoramento sob o patrocínio da liberdade responsável. Os Benfeitores espirituais recomendam o bom senso, a autoconfiança, a altivez, o equilíbrio e a busca incessante de Deus, que nos faculta contentamento e paz ao coração e à consciência, sem as penúrias de procurarmos alentos nas figuras e emblemas incrustrados na epiderme.

Referência bibliográfica:

[1]     Xavier, Francisco Cândido. Nosso Lar, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1955 

quarta-feira, 31 de maio de 2017

“Fogo fátuo” e “duplo etérico” - o que é isso ? (Jorge Hessen)



Jorge Hessen

Um amigo indagou-me o que era  “fogo fátuo” e “duplo etérico”. Respondi-lhe que uma das opiniões que se defende sobre o “fogo fátuo”, acena para  a emanação “ectoplásmica” de um cadáver que, à noite ou no escuro, é visível, pela luminosidade provocada com a queima do fósforo “ectoplásmico” em presença do oxigênio atmosférico. Essa tese tenta demonstrar que um “cadáver” de um animal pode liberar “ectoplasma”.

Outra explicação encontramos no dicionarista laico ,definindo o “fogo fátuo” como uma fosforescência produzida por emanações de gases dos cadáveres em putrefação[1], ou uma labareda tênue e fugidia produzida pela combustão espontânea do metano e de outros gases inflamáveis que se evola dos pântanos e dos lugares onde se encontram matérias animais em decomposição. Ou , ainda, a inflamação espontânea do gás dos pântanos (fosfina), resultante da decomposição de seres vivos: plantas e animais típicos do ambiente.

Sob o enfoque espírita, Allan Kardec fez breve referência ao termo conforme inserto  no cap. VI, de O Livro dos Médiuns ,  questão 29, ao indagar: “Que se deve pensar da crença que atribui os “fogos-fátuos” à presença de almas ou Espíritos?” Os espíritos responderam: "Superstição produzida pela ignorância. Bem conhecida é a causa física dos “fogos-fátuos”. [2]

Sobre o tema “duplo etérico” explicamos ser muito intricado.  O termo não está presente na Codificação, porém existem associações teóricas subjetivas,  por vezes polêmicas, contidas  nas obras “complementares” para explicá-lo. O fato é que não encontramos  a nomenclatura, digamos,  “clássica” no Espiritismo, isto é, não é definido por Kardec, embora superficialmente o tema é  acenado (uma única vez) em O Livro dos Médiuns. [3] A rigor, a palavra e seus conceitos dimanam especialmente dos burgos místicos do esoterismo, apinhada de crença orientalista , mística e espiritualista, portanto não sendo objeto de estudo de Kardec ou dos Espíritos nas Obras básicas.

Partindo do princípio definido pelo dicionário esotérico somos informados que todo corpo físico está cercado por um invólucro de matéria etérica, sendo uma reprodução perfeita do corpo físico. Ele ultrapassa epiderme cerca de cinco centímetros. Não é um veículo independente, se desfazendo após a morte física. Sua grande importância é receber e distribuir as forças vitais provenientes do sol e da terra. É nele que estão localizados os chamados “chacras”. [4]

Kardec inquiriu aos Espíritos se a alma é externa e envolve o corpo. Os Benfeitores explanaram que as almas (os encarnados)  irradiamos e nos manifestamos no exterior (do corpo físico), como a luz através de uma lâmpada ou como o som em redor de um centro sonoro. É por isso que se pode dizer que ela (alma) é externa, mas não como uma película do corpo. A alma tem dois envoltórios: um, sutil e leve, o primeiro que chamas perispírito; o outro, grosseiro, material e pesado, que é o corpo biológico. [5]

Divulga-se que o “duplo etérico”, ou, para alguns, a “bioenergia”, é o contingente de energia vital (“neuropsíquica”), resultado da ação do corpo espiritual (perispírito) sobre os elementos físicos, canalizados à consolidação do corpo físico como, também, aglutinados em uma outra estrutura que vai servir de verdadeiro reservatório de vitalidade, necessário, durante a vida física, à reposição de energias gastas ou perdidas. [6]

André Luiz distingue o perispírito - a que chama também de “corpo astral”, “corpo espiritual” e “psicossoma” - do “duplo etérico”, cuja natureza, afirma como sendo de "um conjunto de eflúvios vitais que asseguram o equilíbrio entre a alma e o corpo biológico" (...), "formado por emanações neuropsíquicas que pertencem ao campo fisiológico e que, por isso mesmo, não conseguem maior afastamento da organização terrestre, destinando-se à desintegração, tanto quanto ocorre ao arcabouço carnal por ocasião da morte renovadora".[7]

Na desencarnação “duplo etérico” (ou “corpo vital”) pode ficar adjunto ao corpo físico ou pairar no ambiente, por um período curto ou longo consoante a evolução do desencarnado, até o desligamento definitivo, quando sobrevém a sua desintegração. Isto porque, sendo um campo de energia de predominância física, poderá servir de sustentação a espíritos vampirizadores. Nos seres evoluídos, o “duplo etérico” é quase que imediatamente desintegrado.

André Luiz , portanto , confirma  que todos os seres vivos se revestem de um halo magnético que lhe corresponde à natureza e que no homem essa projeção é modificada e enriquecida pelos fatores do pensamento contínuo, constituindo a “aura” humana, o “corpo vital” ou "duplo etérico". Por ele exteriorizamos o reflexo de nós mesmos, de acordo com o que pensamos e fazemos. [8]

Sinceramente? Não identificamos problemas conceituais nas considerações de André Luiz. Não obstante, ocorrerem clamores que divergem do autor de “Nosso Lar”, a propósito do emprego das terminologias “aura”e “corpo vital”. Asseguram tais divergentes que as palavra e os conceitos estão propostos sem um maior critério doutrinário, pois que nas obras básicas e na Revista Espírita, Kardec não usou tais palavras. Lembremos, porém, que o Codificador usou a expressão “atmosfera fluídica” ou “atmosfera individual” para definir o mesmo fenômeno aqui analisado.

Nalgumas escolas espiritualistas, o “corpo vital” (empregado por André Luiz) é constituído por átomos de matéria sutil (etérea), sendo denominado como tal  por ser a fonte das forças nervosas eletrovitais, e, portanto, o construtor e restaurador das formas densas, interpenetrando todo o corpo físico.  Todavia, na época de Kardec  não se empregava com frequência o termo “duplo etérico” ou “corpo vital”, mas ao registrar Kardec que o perispírito é composto de matéria sutil, de matéria nervosa, de matéria inerte, evidentemente estava referindo-se ao perispírito como um corpo complexo, e não de natureza compacta.

Leopoldo Cirne, um espírita estudioso de Kardec,    concluía, das experiências de materialização, a existência de um corpo invisível no encarnado, dessemelhante do perispírito, que poderia subsistir por algum tempo após a morte física, mas não permaneceria definitivamente ligado ao Espírito desencarnado, a que denominou de “corpo etéreo”, “duplo astral”, “corpo astral”, responsável pela possibilidade de materialização dos Espíritos. [9] Em seguida, na sua obra (póstuma) O Homem Colaborador de Deus, Cirne manteve seu ponto de vista sobre a existência de um corpo não-físico além do perispírito, não o designando mais de duplo (corpo) astral, mas apenas de “corpo etéreo”, inseparável do corpo físico durante a vida. [10]

Sabemos que o tema é sensível, difícil, problemático e não pacificado ainda, mas faço minhas as palavras de Kardec,   mencionando que o estudo de um tema que nos lança numa ordem de coisas abstratas só pode ser feito com inteligência, imparcialidade e utilidade por pesquisadores sérios, perseverantes, livres de prevenções e animados de firme e sincera vontade de chegar a um resultado. Não sabemos como dar esses qualificativos aos que julgam “a priori”, inconsideradamente, sem tudo ter visto; que não imprimem a seus estudos a continuidade, a regularidade e o recolhimento indispensáveis. [11]

Referências bibliográficas:

[1] Disponível em https://www.priberam.pt/dlpo/fogo-f%C3%A1tuo acessado em 25-05-2017
[2] KARDEC , Allan. O livro dos Médiuns, cap VI, questão 29, RJ: Ed FEB, 1990
[3] Idem questão 4 do item 128 do capítulo VIII
[4] Disponível em https://dicionarioesoterico.wordpress.com/ acessado em 24-05-2017
[5] KARDEC , Allan. O livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB, 1990 questão. 141
[6] ZIMMERMANN Zalmino. PERISPÍRITO, SP: Editora: Centro Espírita Allan Kardec, 2002
[7] XAVIER, Francisco Cândido. Evolução em Dois Mundos, RJ: Ed. FEB 1958, 13a ed.
[8] Idem
[9] CIRNE, Leopoldo. Doutrina e Prática do Espiritismo, 1 edição, RJ: Editora: Typ . do Jornal do Commercio, 1920
[10] CIRNE, Leopoldo. O Homem Colaborador de Deus, SP: Ed Mundo Maior, 1949
[11] KARDEC , Allan. O livro dos Espíritos, item VIII da introdução, RJ: Ed FEB, 1990